Avaliação inicial
A suspeita clínica de varicela baseia-se na presença de um exantema vesicular pruriginoso, tipicamente polimórfico, com lesões em diferentes estádios de evolução, frequentemente associado a febre e sintomas gerais ligeiros. Apesar de ser habitualmente benigna na infância, a varicela pode associar-se a complicações relevantes, pelo que a avaliação inicial deve ser sistemática e orientada para a identificação precoce de gravidade.
Avaliação de gravidade
O primeiro passo consiste na identificação de sinais de alarme, incluindo compromisso do estado geral, dificuldade respiratória, alterações neurológicas como confusão, ataxia ou convulsões, e sinais sugestivos de sobreinfeção bacteriana das lesões cutâneas. A presença destes achados indica doença potencialmente complicada e impõe avaliação urgente em meio hospitalar.
Estado imunitário e situações especiais
Na ausência de critérios de gravidade imediata, deve ser avaliado o estado imunitário. A imunossupressão, independentemente da idade, associa-se a maior risco de evolução desfavorável, devendo estes doentes ser avaliados em contexto hospitalar e considerados para terapêutica antiviral endovenosa. Situações particulares, como gravidez, infeção no período periparto ou envolvimento do recém-nascido, requerem igualmente abordagem especializada, pelo risco acrescido de complicações maternas e neonatais.
Criança imunocompetente
Em crianças previamente saudáveis, a varicela apresenta habitualmente uma evolução benigna e autolimitada. A abordagem é essencialmente sintomática, centrada no controlo da febre, alívio do prurido e prevenção de sobreinfeção das lesões cutâneas. O uso rotineiro de antivirais não está indicado, devendo ser reservado para situações selecionadas com maior risco ou evolução desfavorável.
Adulto imunocompetente
No adulto imunocompetente, o risco de complicações, em particular pneumonia varicelosa, é significativamente superior. Nestes casos, deve ser considerada terapêutica antiviral oral, idealmente iniciada precocemente após o aparecimento do exantema, podendo ainda existir benefício em fases mais tardias se a doença estiver em progressão. A decisão deve ser individualizada, tendo em conta a extensão das lesões, a evolução clínica e o estado geral do doente.
Isolamento e prevenção da transmissão
A transmissão da varicela mantém-se enquanto existirem lesões vesiculares ativas. A evicção escolar ou laboral deve prolongar-se até à completa formação de crostas em todas as lesões. Deve ser evitado o contacto com grávidas e doentes imunodeprimidos durante este período.
Reavaliação e seguimento
A reavaliação clínica é fundamental ao longo da evolução. O aparecimento tardio de sinais de gravidade ou a deterioração do estado geral impõem reclassificação imediata da situação clínica e referenciação adequada. Uma vigilância cuidadosa permite identificar precocemente complicações e ajustar a abordagem terapêutica de forma segura.