Avaliação inicial
Paciente com taquicardia e pulso presente. O primeiro passo é a avaliação A-B-C-D-E: permeabilidade da via aérea, respiração, circulação, estado de consciência e avaliação da pele. Identificam-se sinais de instabilidade clínica (hipotensão, alteração do estado mental, dor torácica isquémica, insuficiência cardíaca aguda com dispneia/fadiga/edemas ou síncope). Na presença de instabilidade, deve-se contactar apoio especializado de imediato.
Causas reversíveis
Devem ser identificadas e tratadas causas reversíveis: alterações eletrolíticas, anemia, febre, hipertiroidismo, hipoglicemia, ansiedade, consumo excessivo de cafeína, álcool, cocaína, canábis ou anfetaminas; efeitos adversos de fármacos (antidepressivos tricíclicos, metilfenidato, digoxina, antiarrítmicos) e estímulo de pacemaker. Corrigir precocemente melhora sintomas e pode resolver a taquicardia.
ECG e QRS
Realiza-se ECG de 12 derivações. Classifica-se pela largura do QRS: estreito (<120 ms) sugere origem supraventricular; largo (≥120 ms) obriga a considerar taquicardia ventricular como hipótese principal.
QRS estreito regular
Tipicamente TRN/ORT (reentrada nodal ou aurículo-ventricular). Abordagem inicial com manobras vagais: Valsalva, massagem do seio carotídeo, frio na face ou reflexo da tosse. Auscultar previamente a carótida; massajar de forma unilateral por 5–10 s com pressão firme. Efeitos adversos possíveis: tonturas, síncope, arritmias ventriculares transitórias.
Adenosina
Se não houver reversão com manobras, administrar adenosina em bólus rápido: 6 mg IV; se necessário, repetir com 12 mg. Utilizar monitorização contínua de ECG (semivida muito curta). Efeitos adversos são geralmente autolimitados (desconforto torácico, dispneia, rubor). Se reverte para ritmo sinusal, orientar estudo em ambulatório (função tiroideia, ecocardiograma, ECG/Holter, cardiologia).
Alternativas
Se contraindicação ou insucesso com adenosina, considerar verapamil ou metoprolol IV, respeitando contraindicações: evitar betabloqueador em broncospasmo; verapamil contraindicado em IC descompensada ou bloqueio AV de 2.º/3.º grau. Diltiazem é alternativa válida (15–20 mg IV, podendo repetir após 15 min).
QRS estreito irregular
Sugere fibrilhação auricular (diferenciais: flutter com condução variável, TSV multifocal). Priorizar controlo da frequência ventricular com betabloqueador ou bloqueador dos canais de cálcio, conforme contraindicações. Para sintomas recorrentes ou refratariedade, ponderar ablação por catéter.
QRS largo regular
Distinguir TV monomórfica de TSV com bloqueio de ramo. Na dúvida, tratar como TV. Administrar amiodarona IV 150–300 mg em 20–60 min (diluída em dextrose), seguida de perfusão de manutenção nas 24 h seguintes. Resposta à adenosina pode sugerir TSV com bloqueio de ramo.
Apoio especializado
Ponderar contacto precoce com apoio especializado perante instabilidade, resposta insatisfatória, dúvida diagnóstica ou contraindicações farmacológicas.
Plano de manutenção
Após estabilização, definir terapêutica de manutenção de acordo com o tipo de taquicardia: medicação oral, consulta de ritmo e, quando indicado, estudo eletrofisiológico e ablação por catéter.