Rinossinusite aguda — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que abrange este algoritmo?
O algoritmo orienta a abordagem da rinossinusite aguda (sintomas <12 semanas), desde a confirmação de critérios clínicos até à exclusão de complicações e à distinção entre etiologia viral provável e rinossinusite bacteriana provável (ABRS). Integra critérios temporais (persistência >10 dias, double sickening, sintomas severos), opções de tratamento sintomático, uso racional de antibioterapia e indicação para watchful waiting, com pontos de reavaliação.
2) Quais são os sintomas que definem rinossinusite aguda?
A rinossinusite aguda requer pelo menos dois sintomas, sendo obrigatório que um deles seja obstrução nasal ou rinorreia (anterior ou posterior). Os outros sintomas típicos incluem dor facial/cefaleia e hiposmia/anosmia. A maioria dos episódios está associada a infeção viral do trato respiratório superior.
3) Quais são as principais causas de rinossinusite aguda?
A causa mais frequente é viral e autolimitada. Uma minoria evolui para rinossinusite bacteriana provável, sugerida por padrões clínicos específicos (persistência, agravamento após melhoria inicial ou quadro severo). Outras causas/diagnósticos diferenciais incluem rinite alérgica, cefaleias primárias, odontalgia e causas estruturais nasais.
4) Que sinais de alarme obrigam a referenciação urgente?
Devem motivar avaliação hospitalar urgente sinais de complicação orbitária (proptose, diplopia, oftalmoplegia, dor à mobilização ocular, diminuição da acuidade visual, edema periorbitário marcado) e sinais de complicação intracraniana (cefaleia intensa, febre elevada persistente, sinais meníngeos, vómitos persistentes, défices neurológicos, alteração do estado de consciência). Também o edema frontal e a toxemia devem baixar o limiar de referenciação.
5) Como diferenciar rinossinusite viral de bacteriana provável?
A distinção é sobretudo clínica e baseada no padrão temporal. A rinossinusite viral é típica quando há <10 dias de sintomas com melhoria progressiva. A ABRS é sugerida por: sintomas >10 dias sem melhoria, agravamento após melhoria inicial (double sickening) ou quadro severo com febre ≥39ºC e dor facial intensa por ≥3–4 dias. A cor do muco, isoladamente, não é um critério fiável.
6) Qual é o tratamento sintomático recomendado na rinossinusite viral?
O objetivo é controlo de sintomas e melhoria do conforto. Recomenda-se irrigação nasal com solução salina (isotónica ou hipertónica), analgesia/antipirético (paracetamol ou AINE se sem contraindicações) e descongestionante nasal tópico por períodos curtos (idealmente ≤3–5 dias) para evitar rinite medicamentosa. Pode considerar-se corticoide intranasal se obstrução nasal marcada ou sintomas moderados, sobretudo com rinite concomitante. Na rinossinusite viral, não está indicada antibioterapia.
7) Quando devo iniciar antibioterapia na rinossinusite aguda?
A antibioterapia deve ser reservada para rinossinusite bacteriana provável (critério temporal/padrão evolutivo) e situações com gravidade ou risco aumentado. Em casos sem gravidade e com possibilidade de seguimento, pode optar-se por watchful waiting (vigilância 48–72 horas ou prescrição diferida), iniciando antibiótico apenas se não houver melhoria ou se ocorrer agravamento.
8) Que fatores favorecem tratamento imediato em vez de watchful waiting?
Sugere-se iniciar antibiótico de imediato se houver doença muito severa ou toxemia, imunossupressão, comorbilidade relevante/fragilidade, impossibilidade de follow-up fiável, história de episódios recorrentes com impacto significativo, ou suspeita de origem odontogénica. A decisão deve ser individualizada, ponderando risco/benefício e contexto clínico.
9) Quando devo pedir exames complementares (TC, analítica, cultura)?
Em rinossinusite aguda não complicada, não se recomenda imagiologia de rotina. A TC é indicada quando há suspeita de complicação, doença severa atípica, falha terapêutica com necessidade de reavaliação diagnóstica, ou suspeita de etiologia alternativa (p. ex., odontogénica). Culturas e exames laboratoriais são reservados para contextos selecionados, nomeadamente internamento, imunossupressão ou recorrência/falha persistente.
10) Qual é o antibiótico de primeira linha e qual a duração habitual?
Quando indicada, a primeira linha inclui amoxicilina ou amoxicilina-ácido clavulânico, de acordo com o risco individual e protocolos locais. A duração habitual em adultos é 5–7 dias, associando corticoide intranasal como adjuvante quando há obstrução/sintomas relevantes. A seleção deve considerar alergias, antibioterapia recente e comorbilidades.
11) Quando devo reavaliar e o que define falha terapêutica?
Deve reavaliar-se de imediato se houver agravamento em qualquer momento. Considera-se falha terapêutica se não houver melhoria clínica após 5–7 dias de abordagem adequada. Nessa situação, é essencial confirmar o diagnóstico, avaliar adesão/tolerância, excluir complicações e ponderar necessidade de imagiologia, referenciação e terapêutica alternativa conforme o contexto.