Avaliação inicial
Perante um utente com contacto sexual oral, genital ou anal com indivíduo diagnosticado com sífilis, o primeiro passo é enquadrar o estádio da infeção no caso índice, distinguindo sífilis primária, secundária, latente precoce ou latente tardia. Deve igualmente ser avaliado o intervalo temporal desde a última exposição, uma vez que este condiciona o risco de infeção recente, a interpretação da serologia e a necessidade de tratamento presuntivo.
Contactos de sífilis primária, secundária ou latente precoce
Nos contactos de casos de sífilis precoce, a decisão clínica baseia-se sobretudo no tempo decorrido desde o último contacto sexual. Estas fases da doença apresentam elevada contagiosidade, justificando uma abordagem mais proativa no rastreio e tratamento dos parceiros sexuais.
Avaliação do tempo desde a exposição
Se o contacto sexual ocorreu nos últimos 90 dias, está indicado tratamento presuntivo de sífilis precoce, independentemente dos resultados dos testes serológicos. Esta estratégia visa prevenir progressão da doença e transmissão adicional, tendo em conta o risco elevado de infeção recente e a possibilidade de período de janela serológica.
Contactos com exposição há mais de 90 dias
Quando a última exposição ocorreu há mais de 90 dias, a abordagem depende da disponibilidade de testes serológicos e da capacidade para garantir seguimento clínico adequado. Sempre que possível, deve ser realizado rastreio serológico para sífilis, com orientação terapêutica baseada nos resultados e no estádio da doença.
Decisão terapêutica baseada no seguimento
Na ausência de condições para assegurar seguimento clínico e serológico fiável, deve considerar-se novamente tratamento presuntivo de sífilis precoce, privilegiando a segurança clínica e o impacto em saúde pública. Quando a serologia é negativa fora do período de janela e não existem novos contactos de risco, não está indicado tratamento.
Contactos de sífilis latente tardia
Nos parceiros sexuais de doentes com sífilis latente tardia, não está recomendado tratamento empírico sistemático. A abordagem deve ser individualizada, baseada numa avaliação clínica e serológica completa, com tratamento apenas se houver evidência de infeção.
Tratamento e seguimento
Sempre que indicado, o tratamento deve ser orientado pelos critérios clínicos, pelos resultados serológicos e pelo estádio da sífilis, garantindo seguimento adequado após terapêutica. O rastreio e tratamento corretos dos contactos constituem uma intervenção central no controlo da sífilis, reduzindo complicações individuais e a transmissão comunitária.