Perguntas frequentes — Sífilis: rastreio e abordagem de contactos
1) Quem é considerado contacto sexual de um caso de sífilis?
Considera-se contacto sexual qualquer pessoa que tenha tido contacto oral, genital ou anal com um indivíduo diagnosticado com sífilis. A abordagem depende do estádio da infeção no caso índice, do tempo decorrido desde a última exposição e da possibilidade de garantir avaliação e seguimento.
2) Porque é importante conhecer o estádio da sífilis no caso índice?
A sífilis primária, secundária e latente precoce apresenta maior probabilidade de transmissão sexual. Os contactos destas fases podem necessitar de tratamento presuntivo. Na sífilis latente tardia, a contagiosidade sexual é muito menor e a abordagem baseia-se sobretudo na avaliação clínica e serológica.
3) O que fazer se o contacto com sífilis precoce ocorreu nos últimos 90 dias?
Está indicado tratamento presuntivo de sífilis precoce, mesmo que a serologia inicial seja negativa. Esta recomendação deve-se ao risco de infeção recente e à possibilidade de o contacto ainda se encontrar no período de janela serológica.
4) Uma serologia negativa exclui sífilis após uma exposição recente?
Não necessariamente. Durante o período inicial após a infeção, os testes serológicos podem ainda ser negativos. Por este motivo, uma serologia negativa após uma exposição recente não exclui sífilis e não deve atrasar o tratamento presuntivo quando este está indicado.
5) O que significa período de janela serológica?
O período de janela serológica corresponde ao intervalo entre a infeção por Treponema pallidum e o aparecimento de anticorpos detetáveis nos testes serológicos. Durante este período, o indivíduo pode estar infetado apesar de apresentar testes negativos.
6) Como abordar um contacto ocorrido há mais de 90 dias?
Deve realizar-se avaliação clínica e rastreio serológico. Se for possível garantir seguimento, a decisão terapêutica pode basear-se nos resultados laboratoriais. Se o seguimento não for fiável ou existir risco elevado de perda de acompanhamento, pode ser considerado tratamento presuntivo.
7) Quando não está indicado tratamento após contacto com sífilis?
O tratamento pode não estar indicado quando a exposição ocorreu há mais de 90 dias, a serologia é negativa fora do período de janela, não existem sinais ou sintomas sugestivos e não ocorreram novas exposições de risco.
8) Os contactos de sífilis latente tardia devem ser tratados empiricamente?
Não está recomendado tratamento empírico sistemático. Estes contactos devem realizar avaliação clínica e serológica, sendo tratados apenas se existir evidência de infeção atual ou passada não tratada.
9) Que testes devem ser realizados nos contactos?
A avaliação inclui habitualmente um teste treponémico e um teste não treponémico quantitativo, como VDRL ou RPR. A interpretação deve considerar o tempo desde a exposição, antecedentes de sífilis, tratamentos prévios e resultados serológicos anteriores.
10) Um teste treponémico positivo significa sempre infeção ativa?
Não. Os testes treponémicos podem permanecer positivos durante toda a vida, mesmo após tratamento adequado. Um resultado positivo pode corresponder a infeção atual ou passada, devendo ser interpretado em conjunto com o teste não treponémico, a história clínica e os antecedentes terapêuticos.
11) Deve ser feito rastreio de outras infeções sexualmente transmissíveis?
Sim. Perante exposição a sífilis, deve ser considerado rastreio de VIH, hepatites virais, gonorreia e clamídia, bem como de outras infeções sexualmente transmissíveis, de acordo com as práticas sexuais, sintomas, antecedentes e contexto clínico.
12) Como devem ser abordadas as grávidas expostas a sífilis?
A avaliação deve ser prioritária, devido ao risco de sífilis congénita. Deve realizar-se serologia e iniciar tratamento quando indicado. A penicilina é o tratamento recomendado durante a gravidez; em caso de alergia, deve ser considerada dessensibilização.
13) É necessário repetir a serologia após uma exposição?
Pode ser necessário repetir a serologia quando o teste inicial foi realizado durante o período de janela, quando persiste suspeita clínica ou quando ocorreram novas exposições. O intervalo deve ser definido de acordo com o risco, o momento da exposição e os resultados iniciais.
14) O contacto deve evitar relações sexuais durante a avaliação?
Deve ser recomendado evitar relações sexuais desprotegidas até conclusão da avaliação e, quando é realizado tratamento, até este estar concluído e os parceiros relevantes terem sido igualmente avaliados e tratados.
15) Quando deve o contacto ser referenciado para cuidados especializados?
A referenciação deve ser considerada perante gravidez, infeção por VIH, suspeita de neurossífilis, sífilis ocular ou otológica, serologias discordantes, alergia à penicilina, falência terapêutica, reinfeções recorrentes ou dificuldade na interpretação dos resultados.