Rinite — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que abrange este algoritmo?
O algoritmo orienta a avaliação estruturada do doente com sintomas nasais (rinorreia, congestão, espirros, prurido e hiposmia/anosmia), começando pela exclusão de sinais de alarme e de causas estruturais. Em seguida, diferencia quadro agudo (geralmente viral) de formas crónicas/recorrentes e organiza a decisão entre rinite alérgica e rinite não alérgica, incluindo opções terapêuticas de primeira linha, critérios de reavaliação e referenciação.
2) Quais são os principais sinais de alarme que exigem investigação ou referenciação?
Devem ser valorizados sinais como obstrução unilateral persistente, epistaxes recorrentes, dor facial intensa localizada, febre alta persistente, suspeita de massa ou polipose, e rinorreia aquosa unilateral após traumatismo (sugerindo fístula de LCR). A presença destes achados deve motivar avaliação médica dirigida e, em contexto apropriado, referenciação ORL (por vezes urgente).
3) Como diferenciar rinite viral aguda de rinossinusite (pós-viral/bacteriana)?
Um quadro compatível com IVAS/rinite viral é tipicamente <10 dias e com melhoria progressiva. Deve suspeitar-se de rinossinusite pós-viral quando há persistência >10 dias sem melhoria ou piora após melhoria inicial (double worsening). A possibilidade de etiologia bacteriana ou complicação aumenta perante febre alta persistente, dor facial intensa, secreção purulenta marcada e sinais orbitários/neurológicos, exigindo reavaliação e eventual referenciação.
4) Qual é o tratamento recomendado na rinite/IVAS viral provável?
O tratamento é sobretudo sintomático, incluindo lavagem nasal com soro/irrigação salina e analgésico/antipirético conforme necessidade. Pode utilizar-se descongestionante nasal tópico por curto período (idealmente máx. 5–7 dias) para alívio da obstrução. Antibióticos não estão indicados na rinite viral não complicada; deve reavaliar-se se houver persistência ou agravamento.
5) Como se avalia a gravidade na rinite alérgica?
A gravidade deve basear-se no impacto funcional (conceito ARIA), e não apenas na intensidade de sintomas. Considera-se ligeira se não houver impacto em sono, atividades diárias ou desempenho escolar/profissional, e se os sintomas forem toleráveis. Considera-se moderada–grave quando existe qualquer impacto nestes domínios ou sintomas claramente incomodativos.
6) Quais são as opções terapêuticas de primeira linha na rinite alérgica?
Em doença ligeira, pode iniciar-se anti-histamínico (oral ou intranasal) e medidas de evicção quando aplicável, mantendo lavagem nasal como adjuvante. Em doença moderada–grave ou com congestão predominante, o tratamento de eleição é o corticóide intranasal em uso regular. Em casos não controlados, deve ponderar-se combinação intranasal (corticóide + anti-histamínico intranasal), após confirmar adesão e técnica de aplicação.
7) Quando é útil rever técnica do spray e adesão ao tratamento?
A revisão da técnica de aplicação e da adesão deve ser feita sempre que os sintomas persistem após 2–4 semanas de terapêutica. Muitos casos de “falha” terapêutica resultam de uso irregular, dose insuficiente ou aplicação incorreta (ex.: direcionar o jato para o septo, aumentando irritação e epistaxe). A otimização destes aspetos deve preceder qualquer escalonamento.
8) Como abordar rinite não alérgica?
Na rinite não alérgica, é prioritário identificar fatores precipitantes (ex.: irritantes, variações térmicas, álcool, refeições) e excluir causas específicas como rinite medicamentosa por uso prolongado de vasoconstritores. O tratamento deve ser dirigido pelo sintoma predominante: ipratrópio intranasal quando há rinorreia aquosa, corticóide intranasal quando predomina congestão e anti-histamínico intranasal (± corticóide) em sintomas mistos.
9) O que é rinite medicamentosa e como se trata?
A rinite medicamentosa resulta do uso prolongado de descongestionantes nasais tópicos, levando a obstrução persistente por efeito rebote. O tratamento baseia-se em suspender o vasoconstritor (preferencialmente com desmame) e iniciar/otimizar corticóide intranasal, associado a lavagem nasal e educação para evitar uso continuado.
10) Quando devo considerar imunoterapia específica?
A imunoterapia específica pode ser considerada em doentes com rinite alérgica clinicamente relevante e sensibilização documentada, sobretudo quando há sintomas persistentes apesar de terapêutica otimizada, impacto funcional significativo ou preferência por reduzir medicação a longo prazo. A decisão deve ser individualizada e, em regra, enquadrada em consulta de Imunoalergologia.
11) Quando está indicada imagiologia (ex.: TC) na abordagem de sintomas nasais?
A imagiologia não é necessária na maioria dos casos de rinite. Deve ser ponderada quando existem sinais de alarme, suspeita de patologia estrutural, rinossinusite complicada (sinais orbitários/neurológicos) ou sintomas persistentes com falha terapêutica, orientando a necessidade de avaliação especializada e plano de tratamento.
12) A quem se destina este conteúdo?
O algoritmo e esta FAQ destinam-se a profissionais de saúde. A decisão clínica deve integrar o contexto individual, comorbilidades, medicação concomitante, idade, gravidez e preferências do doente, seguindo as recomendações e normas aplicáveis.