Profilaxia pós-exposição do tétano — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que abrange este algoritmo?
O algoritmo orienta a profilaxia pós-exposição do tétano perante diferentes tipos de feridas, integrando a avaliação do risco tetanogénico, o estado vacinal e a necessidade de administração de vacina antitetânica e/ou imunoglobulina humana antitetânica. Inclui ainda critérios de gravidade e situações que requerem abordagem individualizada.
2) O que é considerada uma ferida potencialmente tetanogénica?
Incluem-se feridas contaminadas, punctiformes, com corpos estranhos, tecido desvitalizado, queimaduras extensas, fraturas expostas, lesões associadas a solo ou estrume e feridas tratadas tardiamente. Estas situações apresentam maior risco de proliferação de Clostridium tetani.
3) Como deve ser avaliado o estado vacinal?
Deve confirmar-se o número de doses previamente administradas e o tempo decorrido desde a última dose de reforço. Em geral, considera-se proteção adequada quando o utente realizou ≥ 3 doses de vacina antitetânica. A necessidade de reforço depende do tipo de ferida e do intervalo desde a última vacinação.
4) Quando está indicada imunoglobulina humana antitetânica?
A imunoglobulina humana antitetânica está indicada sobretudo em feridas potencialmente tetanogénicas em utentes com estado vacinal desconhecido, vacinação incompleta ou imunidade comprometida. Deve ser administrada em local anatómico diferente da vacina.
5) Quando é necessário reforço vacinal?
Em feridas tetanogénicas, recomenda-se reforço se a última dose tiver sido administrada há ≥ 5 anos. Em feridas não tetanogénicas, o reforço é geralmente indicado quando passaram ≥ 10 anos desde a última dose.
6) Utentes corretamente vacinados necessitam de imunoglobulina?
Na maioria das situações, não. Utentes com esquema vacinal completo e resposta imunitária adequada necessitam apenas de eventual reforço vacinal conforme o intervalo temporal desde a última dose e o tipo de ferida.
7) Que cuidados locais devem acompanhar a profilaxia?
A prevenção do tétano não depende apenas da vacinação. Deve realizar-se lavagem abundante, remoção de corpos estranhos, desbridamento de tecido desvitalizado e tratamento adequado da infeção quando presente.
8) O que fazer perante estado vacinal desconhecido?
Na ausência de documentação fiável, o utente deve ser considerado não vacinado ou insuficientemente vacinado. A abordagem depende do risco da ferida, podendo implicar administração de vacina e imunoglobulina.
9) Existem grupos que requerem avaliação individualizada?
Sim. Utentes com imunossupressão, défices de resposta imunitária, tratamento imunossupressor ou situações clínicas complexas podem necessitar de abordagem diferenciada, mesmo quando previamente vacinados.
10) A imunoglobulina substitui a vacinação?
Não. A imunoglobulina fornece apenas proteção passiva temporária. Sempre que indicado, deve ser administrada simultaneamente vacina antitetânica para garantir proteção duradoura.
11) Onde deve ser administrada a imunoglobulina?
A imunoglobulina deve ser administrada por via intramuscular, preferencialmente em local anatómico diferente da vacina. Em algumas situações de elevado risco pode ser infiltrada parcialmente em redor da ferida, conforme protocolo institucional.