Osteoporose — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que é a osteoporose?
A osteoporose é uma doença esquelética caracterizada pela diminuição da resistência óssea, aumentando o risco de fraturas de fragilidade. Estas fraturas ocorrem após traumatismos de baixa energia, como quedas da própria altura, sendo mais frequentes na anca, coluna vertebral e punho.
2) O que é uma fratura de fragilidade?
Considera-se fratura de fragilidade uma fratura que ocorre espontaneamente ou após um traumatismo de baixa energia, insuficiente para causar fratura num osso saudável. A presença de uma fratura de fragilidade aumenta significativamente o risco de novas fraturas.
3) Quando devo suspeitar de osteoporose?
Deve ser suspeitada em pessoas com idade avançada, história de fratura de fragilidade, menopausa precoce, baixo peso corporal, imobilização prolongada, história familiar de fratura da anca ou utilização prolongada de medicamentos associados à perda óssea, como os glucocorticoides.
4) Quando é necessária uma densitometria óssea (DXA)?
A densitometria é útil para confirmar osteoporose e melhorar a estratificação do risco de fratura. Contudo, existem situações em que o tratamento pode ser iniciado sem necessidade de densitometria, nomeadamente após determinadas fraturas de fragilidade ou em indivíduos com risco muito elevado.
5) O que é o FRAX?
O FRAX é uma ferramenta que estima a probabilidade de fratura osteoporótica nos próximos 10 anos. Utiliza fatores clínicos como idade, sexo, peso, história de fratura prévia, tabagismo e utilização de glucocorticoides, podendo ser calculado com ou sem densitometria.
6) Quando está indicado tratamento farmacológico?
O tratamento farmacológico deve ser considerado em indivíduos com risco elevado ou muito elevado de fratura, em doentes com determinadas fraturas de fragilidade e em situações específicas identificadas pela avaliação clínica, FRAX e densitometria óssea.
7) Quais são os fármacos de primeira linha?
Os bisfosfonatos orais, como o alendronato e o ibandronato, constituem geralmente a primeira linha terapêutica. Reduzem o risco de fraturas vertebrais e não vertebrais e apresentam uma relação benefício-risco favorável na maioria dos doentes.
8) Quando utilizar denosumab ou ácido zoledrónico?
Estas opções são particularmente úteis quando existem contraindicações, intolerância ou dificuldades na utilização de bisfosfonatos orais. A decisão deve considerar a função renal, o risco de hipocalcemia, a adesão terapêutica e as preferências do doente.
9) Quando deve ser considerada teriparatida?
A teriparatida é habitualmente reservada para doentes com risco muito elevado de fratura, como aqueles com múltiplas fraturas vertebrais, fratura da anca ou valores muito baixos de densidade mineral óssea. Deve ser seguida por terapêutica anti-reabsortiva após a sua suspensão.
10) É necessário suplementar cálcio e vitamina D?
Na maioria dos casos recomenda-se assegurar ingestão adequada de cálcio e vitamina D, através da alimentação ou suplementação. A correção da deficiência de vitamina D é particularmente importante antes do início de alguns tratamentos anti-osteoporóticos.
11) Como deve ser feita a monitorização?
A monitorização deve incluir avaliação da adesão terapêutica, ocorrência de novas fraturas e reavaliação periódica do risco de fratura. A repetição da densitometria raramente se justifica antes de 2–3 anos, salvo situações clínicas particulares.
12) É possível suspender os bisfosfonatos?
Em alguns doentes com boa resposta terapêutica e risco reduzido de fratura pode ser considerada uma pausa terapêutica (“drug holiday”) após vários anos de tratamento. A decisão deve ser individualizada e baseada na história de fraturas, densidade mineral óssea e risco atual de fratura.