Introdução
Esta tabela apresenta uma comparação estruturada dos principais métodos contraceptivos, com ênfase na eficácia, tempo de utilização, impacto menstrual, retorno à fertilidade e contraindicações relevantes.
Métodos não hormonais — DIU de cobre
Começando pelos métodos não hormonais, destacamos o DIU de cobre, um método altamente eficaz, com eficácia próxima de 99% e duração até 12 anos. O retorno à fertilidade é imediato e não há contraindicações hormonais, embora o fluxo menstrual possa aumentar e ocorrer dismenorreia, aspetos que é importante antecipar com a doente.
Sistemas intrauterinos hormonais
Seguem-se os sistemas intrauterinos hormonais, disponíveis em diferentes cargas de levonorgestrel (52 mg, 19,5 mg e 13,5 mg). Estes dispositivos apresentam eficácia igualmente elevada, com duração variável entre 3 e 8 anos conforme a formulação. Além de oferecerem contraceção robusta, tendem a reduzir significativamente o fluxo menstrual, levando a hipomenorreia ou amenorreia em muitas utilizadoras, o que é uma vantagem relevante em mulheres com menorragias. São métodos compatíveis com aleitamento e possuem retorno imediato da fertilidade após a remoção. As principais contraindicações incluem cancro da mama ativo, cirrose grave e hemorragia inexplicada.
Progestativos prolongados — implante e injetável
O implante subcutâneo e o injetável de medroxiprogesterona constituem alternativas apenas com progestativo. O implante apresenta eficácia elevada, utilização prolongada até três anos e spotting irregular como efeito adverso mais marcante. O injetável, por sua vez, tem eficácia adequada e pode induzir amenorreia, mas com um detalhe relevante: o retorno da fertilidade pode ser tardio, ocorrendo cerca de nove a dez meses após a última administração. Ambos são compatíveis com amamentação e evitam os riscos trombóticos dos estrogénios.
Métodos combinados — estrogénio + progestativo
Nos métodos combinados com estrogénio e progestativo — pílula oral, anel vaginal e adesivo transdérmico — a eficácia é elevada, mas dependente da adesão. Estes métodos oferecem regularidade menstrual e rápido retorno da fertilidade, características apreciadas por muitas utilizadoras. No entanto, é essencial reconhecer as contraindicações major relacionadas com estrogénios: enxaqueca com aura, tromboembolismo venoso prévio, hipertensão não controlada, cancro da mama e tabagismo pesado após os 35 anos. Nestes contextos, os métodos apenas com progestativo ou os intrauterinos são opções mais seguras.
Progestativo oral
Por fim, o progestativo oral constitui uma alternativa de uso diário, com eficácia adequada e retorno rápido da fertilidade. É compatível com amamentação e pode ser útil quando os combinados estão contraindicados, embora possa associar-se a ciclos irregulares.
Mensagens-chave
No conjunto, a tabela ilustra três mensagens centrais: primeiro, os métodos de longa duração e baixa dependência da utilizadora são os mais eficazes na prática real; segundo, os métodos com estrogénios exigem avaliação rigorosa do risco trombótico e cardiovascular; e terceiro, a escolha do método deve ser personalizada, integrando eficácia, efeitos menstruais, comorbilidades, amamentação, fertilidade futura e preferências da utilizadora.