Infeção do trato urinário em idade pediátrica — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que abrange este algoritmo?
O algoritmo orienta a avaliação estruturada da suspeita de infeção do trato urinário (ITU) em idade pediátrica, integrando manifestações clínicas por faixa etária, critérios de gravidade, métodos de colheita urinária, interpretação inicial de exames e opções terapêuticas. Inclui ainda critérios de internamento e situações que justificam investigação complementar.
2) Quais são os sintomas mais frequentes de ITU nas crianças?
A apresentação clínica varia com a idade. Nos lactentes, pode surgir apenas febre sem foco, irritabilidade, vómitos, recusa alimentar ou prostração. Em crianças mais velhas predominam sintomas urinários localizatórios como disúria, polaquiúria, urgência miccional, dor suprapúbica ou dor lombar.
3) Como deve ser feita a colheita urinária?
A colheita deve adequar-se à idade e controlo esfincteriano. Em crianças sem controlo vesical, métodos como cateterização ou punção suprapúbica apresentam menor risco de contaminação. O saco coletor pode ser usado como rastreio inicial, mas não deve ser utilizado para confirmação microbiológica por urocultura.
4) Como interpretar a tira-teste urinária?
A presença de nitritos positivos apresenta elevada especificidade para ITU, mas sensibilidade reduzida, sobretudo nos lactentes. A esterase leucocitária aumenta a suspeita diagnóstica, particularmente quando associada a sintomas clínicos compatíveis.
5) Quando deve ser iniciada antibioterapia imediata?
A antibioterapia deve ser iniciada rapidamente em situações de maior gravidade, incluindo idade inferior a 3 meses, alteração do estado geral, sépsis, intolerância oral, desidratação importante ou suspeita de pielonefrite significativa.
6) Qual é a terapêutica antibiótica mais utilizada?
As opções dependem da idade, gravidade e epidemiologia local. Entre as opções mais utilizadas encontram-se amoxicilina/ácido clavulânico, cefuroxima ou terapêutica parentérica em casos selecionados. O esquema deve ser ajustado ao resultado microbiológico sempre que disponível.
7) A nitrofurantoína pode ser utilizada?
A nitrofurantoína pode ser opção em adolescentes com cistite afebril não complicada, mas não deve ser utilizada quando existe suspeita de pielonefrite, devido à baixa penetração tecidular renal.
8) Quando está indicado internamento?
O internamento deve ser considerado em crianças com menos de 3 meses, sinais de sépsis, desidratação significativa, intolerância oral, vómitos persistentes, alterações hemodinâmicas, má perfusão ou ausência de condições adequadas para vigilância domiciliária.
9) Quando deve ser realizada ecografia renal?
A ecografia renal e vesical deve ser considerada em ITU febril em crianças pequenas, ITU atípica, episódios recorrentes ou suspeita de anomalias urológicas. Habitualmente realiza-se nas primeiras 6 semanas após resolução, exceto em situações atípicas onde pode ser necessária durante a fase aguda.
10) O que define uma ITU atípica?
Uma ITU atípica inclui situações como sépsis, má resposta terapêutica após 48 horas, compromisso da função renal, massa abdominal ou isolamento de agentes não habituais. Estas situações podem justificar investigação adicional.
11) Quando deve ocorrer reavaliação clínica?
Na ausência de melhoria clínica após 48–72 horas, deve ser realizada nova observação para confirmar diagnóstico, rever antibioterapia, excluir complicações e ponderar investigação complementar.