Hipotiroidismo primário — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que é o hipotiroidismo primário?
O hipotiroidismo primário resulta da incapacidade da glândula tiroide em produzir quantidades adequadas de hormonas tiroideias. Caracteriza-se habitualmente por elevação da TSH associada a diminuição da T4 livre, embora possam existir formas subclínicas com T4 livre normal.
2) Quais são as causas mais frequentes?
A principal causa em países com aporte adequado de iodo é a tiroidite autoimune (tiroidite de Hashimoto). Outras causas incluem cirurgia tiroideia, tratamento com iodo radioativo, radioterapia cervical, défice de iodo e determinados fármacos como amiodarona, lítio ou interferão.
3) Quando devo pedir TSH e T4 livre?
A avaliação está indicada perante sintomas sugestivos de disfunção tiroideia, presença de bócio ou nódulos tiroideus, infertilidade, irregularidades menstruais, doenças autoimunes, alterações do perfil lipídico, anemia inexplicada, atraso de crescimento em idade pediátrica ou durante a gravidez quando existam fatores de risco.
4) Como interpretar uma TSH elevada?
Uma TSH elevada associada a T4 livre diminuída é compatível com hipotiroidismo primário manifesto. Quando a T4 livre permanece dentro dos valores de referência, trata-se de hipotiroidismo subclínico, cuja abordagem depende da magnitude da elevação da TSH, da idade e do contexto clínico.
5) Qual é a terapêutica de primeira linha?
A levotiroxina é o tratamento de eleição. Em adultos jovens sem doença cardiovascular pode iniciar-se uma dose próxima de substituição completa. Em idosos ou doentes com cardiopatia recomenda-se iniciar doses mais baixas e aumentar progressivamente.
6) Como deve ser tomada a levotiroxina?
A levotiroxina deve ser tomada em jejum, apenas com água, pelo menos 30 a 60 minutos antes do pequeno-almoço ou ao deitar, desde que tenham passado pelo menos 3 horas desde a última refeição. A toma incorreta é uma das causas mais frequentes de controlo inadequado.
7) Que medicamentos podem interferir com a absorção da levotiroxina?
Suplementos de ferro, cálcio, antiácidos contendo alumínio, sucralfato, colestiramina, colestipol e resinas de troca iónica podem reduzir significativamente a absorção intestinal da levotiroxina. Recomenda-se um intervalo mínimo de 4 horas entre as administrações.
8) Quando devo repetir as análises após iniciar ou alterar a dose?
A TSH deve ser reavaliada aproximadamente 6 a 8 semanas após o início da terapêutica ou após qualquer alteração da dose. Após estabilização clínica e analítica, o seguimento pode ser realizado anualmente.
9) O que fazer se os sintomas persistirem apesar de TSH normal?
Deve ser considerada a presença de outras causas para a sintomatologia, incluindo défices nutricionais, doenças autoimunes associadas, perturbações do sono, depressão, ansiedade, fibromialgia, síndrome de fadiga crónica ou outras patologias médicas concomitantes.
10) Quando devo referenciar para Endocrinologia?
A referenciação deve ser considerada perante dificuldade persistente em atingir eutiroidismo, necessidade de doses elevadas de levotiroxina, suspeita de má absorção, gravidez de difícil controlo, discordância entre clínica e análises ou suspeita de patologia tiroideia mais complexa.
11) O hipotiroidismo requer tratamento para toda a vida?
Na maioria dos casos de hipotiroidismo primário permanente, especialmente quando associado a tiroidite autoimune ou após cirurgia tiroideia, a terapêutica com levotiroxina é mantida indefinidamente. Algumas situações transitórias podem permitir suspensão após reavaliação especializada.
12) Como abordar o hipotiroidismo durante a gravidez?
A gravidez aumenta as necessidades de hormona tiroideia. As mulheres com hipotiroidismo devem ser monitorizadas de forma mais frequente e necessitam frequentemente de ajuste da dose de levotiroxina para manter valores adequados de TSH ao longo da gestação.