Perguntas frequentes sobre Fibrilhação Auricular — Anticoagulação (CHA₂DS₂-VA / NOAC)
1) O que é o CHA₂DS₂-VA e em que difere do CHA₂DS₂-VASc?
O CHA₂DS₂-VA é uma variação do CHA₂DS₂-VASc que exclui o sexo como variável. Mantém valor preditivo semelhante de risco tromboembólico e pode ter desempenho superior em idades ≥ 75 anos.
2) Como atribuir pontos no CHA₂DS₂-VA?
1 ponto: insuficiência cardíaca/fração de ejeção reduzida, hipertensão, idade 65–74, diabetes, doença vascular (periférica/coronária/aorta).
2 pontos: idade ≥ 75, AVC/AIT/embolia prévios.
3) Quando anticoagular segundo o CHA₂DS₂-VA?
≥ 2 pontos: indicar anticoagulação oral (preferencialmente NOAC).
1 ponto: decisão individualizada conforme risco trombótico/hemorrágico e preferência do doente.
0 pontos: não anticoagular.
4) O HAS-BLED serve para contraindicar anticoagulação?
Não. O HAS-BLED identifica fatores modificáveis de hemorragia (p. ex., HTA não controlada, álcool, fármacos, INR lábil com AVK). Um score elevado indica maior vigilância e correção de riscos, não suspensão automática da anticoagulação.
5) NOAC ou antagonista da vitamina K (AVK)?
Em FA não valvular, preferir NOAC pela eficácia/segurança. Usar AVK em válvula mecânica, estenose mitral reumática moderada-severa, síndrome antifosfolipídico, gravidez, Child C ou quando NOAC estiver contraindicado/inacessível.
6) Como escolher o NOAC e ajustar a dose?
Basear-se em função renal e hepática, idade e peso. Ajustes seguem a depuração de creatinina e critérios específicos de cada fármaco (p. ex., apixabano reduz com ≥2 de: idade ≥80, peso ≤60 kg, creatinina ≥1,5 mg/dL). Rever também interações (P-gp/CYP3A4).
7) Antiagregação substitui anticoagulação na FA?
Não. Antiagregante em monoterapia não previne AVC na FA. A combinação anticoagulante + antiagregante só se usa se houver outra indicação formal (p. ex., síndrome coronária aguda/ICP recente), pelo tempo mínimo necessário.
8) Quais são as contraindicações absolutas e relativas a NOAC?
Absolutas: varizes esofágicas de grande calibre, trombocitopénia < 50×10⁹/L, hipersensibilidade ao fármaco, cirurgia major < 72 h com alto risco hemorrágico.
Relativas: hemorragia intracraniana prévia, GI recente sem causa, úlcera péptica ativa/recente, quedas frequentes com alto risco, demência/incapacidade para adesão — requerem avaliação individualizada.
9) Como monitorizar doentes em NOAC?
Avaliar função renal (pelo menos anual; se ClCr 15–60 mL/min ou idosos/frágeis, a cada 3–6 meses), função hepática/hemograma periódicos, adesão, eventos hemorrágicos e interações novas (p. ex., azóis, amiodarona, dronedarona, verapamil, rifampicina, antiepiléticos, imunossupressores).
10) O que considerar no doente com risco elevado de hemorragia?
Não suspender de rotina. Otimizar PA, tratar úlcera GI, reduzir álcool, rever AINEs/antiagregantes, escolher NOAC com perfil GI mais favorável (p. ex., apixabano/edoxabano) e aplicar dose correta conforme critérios rotulados.
11) E em contexto de cardioversão?
Se FA > 48 h ou duração desconhecida, assegurar ≥ 3 semanas de anticoagulação antes e ≥ 4 semanas após cardioversão (ou estratégia com TEE para excluir trombo e anticoagulação periprocedimento).
12) Como gerir procedimentos e cirurgias?
Interromper NOAC conforme risco hemorrágico do procedimento e função renal (tipicamente 24–72 h antes). Sem ponte com heparina na maioria dos casos. Reiniciar quando hemostase estiver garantida.
13) E se ocorrer hemorragia sob NOAC?
Medidas de suporte, localizar fonte e considerar reversão específica quando disponível (p. ex., idarucizumab para dabigatrano; agentes pró-coagulantes/inibidores de Xa específicos onde aplicável) de acordo com gravidade e fármaco.
14) Há alternativas quando a anticoagulação é inviável?
Em casos selecionados com contraindicação persistente à anticoagulação e risco trombótico elevado, pode ponderar-se oclusão do apêndice auricular esquerdo após discussão multidisciplinar.