Introdução e enquadramento clínico
Esta tabela apresenta uma revisão sistematizada das principais classes farmacológicas utilizadas no tratamento dos sintomas do trato urinário inferior (LUTS) em homens com hiperplasia benigna da próstata (HBP). A decisão terapêutica é orientada pelo fenótipo sintomático predominante (esvaziamento, armazenamento ou misto), pelo risco de progressão (retenção e cirurgia) e pelo impacto na função sexual.
Bloqueadores alfa-1
Incluem tansulosina, alfuzosina, silodosina e terazosina. Proporcionam alívio rápido dos sintomas de esvaziamento (jato fraco, hesitação, esforço, esvaziamento incompleto). Podem causar hipotensão ortostática, tonturas e ejaculação retrógrada. Adequados quando o objetivo primário é o controlo sintomático e não há preocupação dominante com progressão.
Inibidores da 5-alfa-redutase
Incluem finasterida e dutasterida. Atuam lentamente e são os únicos fármacos capazes de modificar a história natural quando a próstata é volumosa. Reduzem volume prostático e o risco de retenção urinária/necessidade de cirurgia. Indicam-se quando volume ≥40 mL e/ou PSA ≥1,5 ng/mL. Efeitos adversos: diminuição da libido, disfunção eréctil e ginecomastia.
Anticolinérgicos e β3-agonista
Os anticolinérgicos (ex.: solifenacina, tolterodina, oxibutinina) são úteis nos sintomas de armazenamento (urgência, frequência, urgência incontinente). Podem causar boca seca, obstipação e, raramente, retenção urinária; convém avaliar o resíduo pós-miccional antes e durante o tratamento.
O β3-agonista mirabegron é alternativa com menor carga anticolinérgica e melhor tolerância em idosos, podendo contudo elevar a pressão arterial.
Inibidor da PDE5 (tadalafil 5 mg)
O tadalafil diário é indicado em doentes com LUTS e disfunção eréctil, permitindo otimizar sintomatologia urinária e função sexual. Pode ser utilizado isoladamente ou associado a um bloqueador alfa-1, com vigilância da PA.
Combinações racionais
As combinações são úteis em fenótipo misto ou quando se pretende otimizar objetivos distintos:
• Alfa-1 + 5-ARI: próstata volumosa + risco de progressão
• Alfa-1 + anticolinérgico: sintomas de esvaziamento + armazenamento
• Alfa-1 + β3-agonista: alternativa quando anticolinérgicos não são tolerados
• Alfa-1 + tadalafil: LUTS + disfunção eréctil
Estratégia de seguimento
No seguimento clínico, importa reavaliar sintomas (ex.: IPSS), PSA, volume prostático, resíduo pós-miccional e qualidade de vida. A decisão cirúrgica surge quando há retenção urinária, ITU recorrente, hematúria persistente, falência terapêutica ou impacto funcional relevante.
Conclusão
O algoritmo terapêutico deve identificar o fenótipo predominante, estimar o risco de progressão e considerar o impacto na sexualidade. A tabela organiza estes elementos de forma concisa, facilitando uma abordagem individualizada em consulta.