Avaliação inicial
Os sintomas do trato urinário inferior, frequentemente designados por LUTS, constituem uma das queixas urológicas mais comuns nos homens de meia-idade e idosos. Embora a hiperplasia benigna da próstata seja uma causa frequente, nem todos os homens com LUTS apresentam obstrução prostática significativa, pelo que é essencial uma avaliação estruturada antes de iniciar tratamento.
Caracterização dos sintomas
A avaliação deve identificar sintomas de armazenamento, como urgência urinária, aumento da frequência miccional e noctúria; sintomas de esvaziamento, como hesitação, jato urinário fraco ou intermitente; e sintomas pós-miccionais, como sensação de esvaziamento incompleto ou gotejamento terminal. O IPSS e a avaliação do impacto na qualidade de vida ajudam a definir a gravidade e a orientar a decisão terapêutica.
Exames complementares
A avaliação complementar inclui habitualmente urina tipo II, PSA, creatinina sérica, ecografia vesicoprostática com determinação do volume prostático e resíduo pós-miccional, bem como urofluxometria quando disponível. Estes exames permitem excluir diagnósticos alternativos, identificar complicações e caracterizar melhor o grau de obstrução.
Vigilância e medidas comportamentais
Quando os sintomas são ligeiros, geralmente com IPSS igual ou inferior a 7 e baixo impacto na qualidade de vida, pode ser adotada vigilância ativa. Devem ser recomendadas medidas comportamentais, como reduzir líquidos ao final do dia, limitar cafeína e álcool, realizar treino vesical e manter reavaliação periódica.
Tratamento farmacológico
Nos sintomas moderados a graves, ou com impacto relevante na qualidade de vida, deve ser ponderado tratamento farmacológico. Quando predominam sintomas de esvaziamento, os alfabloqueantes são geralmente a primeira linha. Em homens com volume prostático aumentado, habitualmente ≥40 mL, ou PSA ≥1,5 ng/mL, deve considerar-se associação com inibidor da 5-alfa-redutase, reduzindo o risco de progressão, retenção urinária e cirurgia futura.
Sintomas de armazenamento
Quando predominam urgência, frequência urinária ou incontinência de urgência, e não existe resíduo pós-miccional significativo, podem ser utilizados antimuscarínicos ou agonistas β3, como o mirabegron. Estes fármacos atuam sobretudo sobre a fase de enchimento vesical e são úteis quando a sintomatologia se aproxima da bexiga hiperativa.
Critérios de referenciação
A referenciação para Urologia deve ser considerada perante retenção urinária, hematúria persistente, infeções urinárias recorrentes, litíase vesical, hidronefrose, insuficiência renal secundária à obstrução, sintomas refratários ao tratamento ou suspeita de neoplasia prostática. Nestas situações pode ser necessária investigação adicional ou abordagem cirúrgica.
Conclusão
Este algoritmo propõe uma abordagem estruturada dos LUTS associados à hiperplasia benigna da próstata. A integração da avaliação clínica, IPSS, exames complementares e perfil sintomático permite selecionar a estratégia terapêutica mais adequada, promovendo controlo dos sintomas, melhoria da qualidade de vida e prevenção de complicações.