1.ª consulta (antes das 12 semanas)
A vigilância da gravidez de baixo risco inicia-se com a 1.ª consulta, idealmente realizada antes das 12 semanas. Nesta etapa procede-se à confirmação e datação da gravidez, colheita da história clínica completa e identificação de fatores de risco. Inclui ainda a avaliação psicossocial e a revisão de medicação potencialmente teratogénica.
É solicitado o estudo analítico do 1.º trimestre, composto por hemograma, glicemia, VDRL, VIH, AgHBs, rubéola, toxoplasmose, grupo ABO, fator Rh, Coombs indireto e urocultura. Nesta consulta inicia-se a suplementação com ácido fólico até às 12 semanas e iodo, salvo contraindicação. A ecografia do 1.º trimestre, com rastreio combinado, é agendada entre as 11 e as 13+6 semanas.
2.ª consulta (14–16 semanas)
A 2.ª consulta centra-se na revisão dos resultados da analítica inicial e da ecografia do 1.º trimestre. É também nesta fase que se solicita a ecografia morfológica, a realizar entre as 20 e as 22+6 semanas. Mantém-se a vigilância clínica habitual, com avaliação de sintomas e sinais de alarme.
3.ª consulta (antes das 24 semanas)
Nesta consulta procede-se ao planeamento do estudo analítico do 2.º trimestre, recomendado entre as 24 e as 28 semanas. Este inclui hemograma, PTGO 75 g, toxoplasmose (se não imune) e Coombs indireto em grávidas Rh negativas. A vacinação Tdpa deve ser administrada entre as 20 e as 36 semanas, preferencialmente entre 22 e 32, após a ecografia morfológica. A vacina da gripe pode ser administrada em qualquer trimestre.
4.ª consulta (27–30 semanas)
Nesta fase são revistos os resultados do estudo do 2.º trimestre e solicitado o exame ecográfico do 3.º trimestre, a realizar entre as 30 e as 32+6 semanas. Nas grávidas Rh negativas não sensibilizadas, está recomendada a administração de imunoglobulina anti-D às 28 semanas, sem necessidade de repetir o Coombs indireto após a administração.
5.ª consulta (34–35 semanas)
Na 5.ª consulta são avaliados os resultados do estudo analítico do 3.º trimestre, que inclui hemograma, VIH, VDRL, AgHBs e toxoplasmose quando aplicável. Faz-se o reforço do plano de parto, a revisão de sinais de alarme e a preparação para o aleitamento materno. A suplementação de ferro deve ser otimizada perante anemia, definida nesta fase como hemoglobina inferior a 10,5 g/dL.
6.ª consulta (36–38 semanas)
A 6.ª consulta foca-se na avaliação próxima do termo, com atenção à apresentação fetal, altura uterina, frequência cardíaca fetal, edema e sinais sugestivos de pré-eclâmpsia ou rotura de membranas. Entre as 35 e as 37 semanas deve ser realizada a colheita para Streptococcus do grupo B.
Consulta de revisão pós-parto (4–6 semanas)
A consulta pós-parto ocorre entre as 4 e as 6 semanas e inclui avaliação do estado físico e emocional da puérpera, revisão da amamentação, planeamento familiar e reclassificação da diabetes gestacional, quando aplicável.
Avaliação comum a todas as consultas
Em todas as consultas devem ser avaliados: pressão arterial, peso, edemas, Combur, altura uterina, frequência cardíaca fetal e sintomas. Deve ser realizada reavaliação contínua dos fatores de risco, com registo no Boletim de Saúde da Grávida.