| Análogos das prostaglandinas / prostamidas |
| Latanoprost |
Análogo da PGF2α |
Aumenta o escoamento uveoescleral, reduzindo a pressão intraocular (PIO) em ≈25–30% com uma toma diária à noite. |
Hiperémia conjuntival, crescimento e escurecimento das pestanas, pigmentação da íris e pele palpebral, irritação ocular ligeira. |
1.ª linha em glaucoma primário de ângulo aberto e hipertensão ocular, salvo contraindicação. |
Explicar risco de alterações cosméticas irreversíveis (cor da íris, pele palpebral). Usar com cautela em história de uveíte, edema macular ou cirurgia ocular recente. |
| Travoprost |
Análogo da PGF2α |
Aumenta o escoamento uveoescleral; eficácia semelhante ou ligeiramente superior ao latanoprost em alguns doentes. |
Hiperémia conjuntival mais marcada, irritação, pigmentação da íris/pálpebras, alterações das pestanas. |
Alternativa de 1.ª linha quando latanoprost é insuficiente ou mal tolerado. |
Preferir formulações sem conservantes em olho seco/síndrome de superfície ocular. Monitorizar pigmentação ao longo do tempo. |
| Bimatoprost |
Prostamida (análoga PG) |
Aumenta o escoamento uveoescleral e trabecular, com potente redução da PIO. |
Hiperémia conjuntival frequente, prurido, pigmentação da íris, escurecimento cutâneo palpebral, “deepening of upper eyelid sulcus”. |
Glaucoma/hipertensão ocular quando se pretende maior redução de PIO ou falência parcial de outros análogos PG. |
Maior risco de alterações da fácies; discutir benefício/risco em doentes jovens. Evitar em uveíte ativa ou edema macular cistóide. |
| Tafluprost (PF) |
Análogo da PGF2α sem conservantes |
Reduz PIO aumentando o escoamento uveoescleral; perfil semelhante a outros PG com formulação livre de conservantes. |
Hiperémia, irritação, pigmentação da íris e pestanas; menor toxicidade de superfície ocular pela ausência de conservantes. |
Doentes com glaucoma e olho seco moderado/grave ou intolerância a BAK e outros conservantes. |
Boa opção em doentes polimedicados e em pós-cirurgia com superfície ocular frágil. Manter monitorização de pigmentação. |
| Betabloqueadores tópicos |
| Timolol |
Betabloqueador não seletivo |
Diminui a produção de humor aquoso, reduzindo PIO em ≈20–25% em monoterapia. |
Bradicardia, hipotensão, broncospasmo, fadiga, depressão, disfunção eréctil; irritação ocular ligeira. |
2.ª linha ou associação em POAG/hipertensão ocular, especialmente quando PG estão contraindicadas. |
Contraindicado em asma, DPOC com componente broncospástico, BAV 2.º/3.º, IC descompensada. Ensinar oclusão nasolacrimal para reduzir absorção sistémica. |
| Timolol gel 0,1–0,5% |
Betabloqueador não seletivo (formulação gel) |
Libertação prolongada permitindo administração 1x/dia com eficácia semelhante ao regime BID. |
Efeitos sistémicos semelhantes ao timolol solução; visão turva transitória após instilação. |
Doentes em que se pretende simplificar posologia ou melhorar adesão com dose única diária. |
Apesar da menor frequência de instilações, manter as mesmas precauções cardiopulmonares do timolol convencional. |
| Betaxolol |
Betabloqueador β1-seletivo |
Reduz a produção de humor aquoso com ligeira seletividade cardíaca, menor efeito broncoconstritor. |
Bradicardia, hipotensão, fadiga; irritação ocular e sensação de picada após instilação. |
Alternativa ao timolol em doentes com DPOC ligeira/estável ou risco aumentado de broncospasmo. |
Apesar de seletivo, não é isento de risco respiratório; evitar em asma moderada/grave. Vigiar frequência cardíaca e PA. |
| Agonistas alfa-2 adrenérgicos |
| Brimonidina |
Agonista α2-adrenérgico seletivo |
Reduz a produção de humor aquoso e aumenta o escoamento uveoescleral; ↓ PIO ≈20–25% em monoterapia. |
Conjuntivite alérgica folicular frequente, hiperémia, boca seca, fadiga, sonolência. |
2.ª linha ou terapêutica adjuvante em POAG quando PG/BB são insuficientes ou mal tolerados. |
Contraindicada em lactentes (<2 anos) e desaconselhada em crianças pequenas pelo risco de depressão respiratória. Vigiar sinais de alergia ocular e suspender se conjuntivite crónica. |
| Apraclonidina |
Agonista α2-adrenérgico |
Diminui rapidamente a produção de humor aquoso, com efeito intenso mas sujeito a taquifilaxia. |
Conjuntivite alérgica, hiperémia, palidez cutânea, boca seca, cefaleias. |
Uso sobretudo a curto prazo: prevenção/tratamento de picos de PIO pós-laser e teste farmacológico em síndrome de Horner. |
Não recomendada como terapêutica crónica em glaucoma pela elevada taxa de taquifilaxia e alergia. Evitar em crianças pequenas. |
| Inibidores da anidrase carbónica — tópicos |
| Dorzolamida |
Inibidor da anidrase carbónica (IAC) |
Reduz a produção de humor aquoso por inibição da anidrase carbónica no corpo ciliar. |
Ardor/queimor ocular, sabor amargo, ceratite punctata, raramente reacções tipo sulfonamida. |
Adjuvante em associação a PG ou BB quando a PIO alvo não é atingida. |
Usar com cautela em doentes com distrofia endotelial de Fuchs ou contagem endotelial muito baixa pelo risco de edema corneano. |
| Brinzolamida |
Inibidor da anidrase carbónica (IAC) |
Mecanismo idêntico à dorzolamida, com suspensão opalescente e pH mais próximo da lágrima, melhor tolerabilidade em alguns doentes. |
Visão turva transitória, desconforto leve, sabor amargo; potenciais reacções sulfonamida. |
Alternativa tópica a dorzolamida em adjuvância ou quando esta é mal tolerada. |
Mesmas precauções relativamente ao endotélio corneano e à função renal em doentes de alto risco. |
| Inibidores da anidrase carbónica — sistémicos |
| Acetazolamida |
IAC sistémico (sulfonamida) |
Inibição sistémica da anidrase carbónica, reduzindo rapidamente a produção de humor aquoso. |
Parestesias, anorexia, náuseas, alterações do paladar, poliúria, nefrolitíase, acidose metabólica, hipocaliémia, raramente reacções graves tipo sulfonamida. |
Crise de glaucoma e situações agudas com PIO muito elevada; terapêutica de ponte pré-cirúrgica ou enquanto se ajusta terapêutica tópica. |
Evitar em TFGe significativamente reduzida, acidose, hiponatrémia/hipocaliémia e alergia a sulfonamidas. Uso crónico apenas excecional e com monitorização rigorosa de eletrólitos. |
| Metazolamida |
IAC sistémico |
Mecanismo semelhante à acetazolamida com semi-vida mais longa e, por vezes, melhor tolerabilidade gastrointestinal. |
Efeitos adversos semelhantes: sintomas GI, parestesias, acidose, alterações hematológicas raras. |
Alternativa à acetazolamida quando esta é mal tolerada e ainda se justifica IAC sistémico. |
Aplicam-se as mesmas contraindicações renais, eletrolíticas e de hipersensibilidade. Monitorizar função renal e electrolitos. |
| Combinações fixas |
| Latanoprost + timolol |
PGF2α + betabloqueador |
Associa aumento do escoamento uveoescleral (latanoprost) à redução da produção de humor aquoso (timolol), com redução adicional da PIO. |
Soma dos efeitos adversos: hiperémia e alterações cosméticas dos PG + risco de efeitos sistémicos dos BB. |
Doentes que necessitam de dois fármacos e já estão bem controlados/tolerantes a PG + BB em separado. |
Reduz o número de instilações e a exposição a conservantes, melhorando potencialmente a adesão. Manter as contraindicações dos BB. |
| Dorzolamida + timolol |
IAC tópico + betabloqueador |
Combina redução da produção de humor aquoso por dois mecanismos complementares, permitindo maior descida da PIO. |
Irritação ocular, sabor amargo, risco de edema corneano (IAC) + efeitos sistémicos de BB. |
Alternativa quando PG não são adequados ou como 2.ª/3.ª linha em PIO refratária. |
Útil para simplificar esquemas com múltiplos colírios. Verificar contraindicações dos BB e condição do endotélio corneano. |
| Brimonidina + timolol |
Agonista α2 + betabloqueador |
Associa diminuição da produção de humor aquoso mediada por α2 e β-bloqueio, com alguma ação adicional no escoamento uveoescleral. |
Conjuntivite alérgica, boca seca, sedação (brimonidina) + efeitos sistémicos dos BB. |
Doentes com PIO não controlada com monoterapia e que toleram bem brimonidina e timolol. |
Evitar em crianças pequenas e em doentes com contraindicações aos BB. Vigiar sinais de alergia ocular ao longo do tempo. |
| Inibidores da Rho-quinase (ROCK) |
| Netarsudil 0,02% |
Inibidor ROCK / noradrenalina transport inhibitor |
Aumenta o escoamento trabecular, reduz a produção de humor aquoso e pode diminuir a pressão venosa episcleral, proporcionando redução adicional da PIO. |
Hiperémia conjuntival muito frequente, hemorragias conjuntivais punctiformes, verticilata corneana assintomática, dor ou ardor transitório. |
Adjuvante em glaucoma/hipertensão ocular quando PG e combinações clássicas não atingem a PIO alvo ou são mal toleradas (onde disponível). |
Informar o doente sobre a elevada probabilidade de hiperémia. Usar com cautela em patologia corneana pré-existente. Disponibilidade pode variar consoante o país. |