Função tiroideia — Perguntas frequentes (FAQ)
1) Quando deve ser avaliada a função tiroideia?
A avaliação da função tiroideia está indicada perante sintomas sugestivos de hipotiroidismo ou hipertiroidismo, presença de bócio ou nódulos tiroideus, infertilidade, irregularidades menstruais, doenças autoimunes, dislipidemia, arritmias, osteoporose, anemia inexplicada, história familiar de doença tiroideia ou antecedentes de irradiação cervical. Deve também ser considerada durante a gravidez ou em mulheres com pretensão de engravidar.
2) Quais são os exames laboratoriais iniciais mais importantes?
O estudo inicial inclui habitualmente o doseamento de TSH e T4 livre (T4L). Em situações de suspeita de hipertiroidismo pode ser útil complementar a avaliação com T3 livre (T3L). Os anticorpos antitiroideus, particularmente os anti-TPO, ajudam a identificar doença autoimune da tiroide.
3) O que significa ter TSH elevado com T4 livre normal?
Esta combinação define habitualmente hipotiroidismo subclínico. A maioria dos casos deve ser confirmada através da repetição do estudo analítico após algumas semanas. A decisão de tratar depende do valor do TSH, da presença de sintomas, anticorpos anti-TPO positivos, idade, gravidez ou outros fatores de risco.
4) Quando deve ser iniciada terapêutica com levotiroxina?
O tratamento está geralmente recomendado quando o TSH é ≥10 mU/L. Em valores inferiores, a decisão deve considerar fatores como sintomas compatíveis, gravidez ou pretensão de engravidar, infertilidade, disfunção ovulatória, anticorpos anti-TPO positivos ou progressão dos valores de TSH ao longo do tempo.
5) Qual o significado de anti-TPO positivos?
Os anticorpos anti-TPO são marcadores de autoimunidade tiroideia e surgem frequentemente na tiroidite de Hashimoto. A sua presença aumenta o risco de progressão do hipotiroidismo subclínico para hipotiroidismo manifesto, podendo influenciar a decisão terapêutica.
6) O que significa ter TSH diminuído com T4 livre normal?
Esta situação é compatível com hipertiroidismo subclínico. Deve ser confirmada através da repetição das análises, uma vez que alterações transitórias do TSH são relativamente frequentes. A persistência da supressão do TSH pode justificar investigação adicional ou referenciação.
7) Quando deve ser doseada a T3 livre?
A T3 livre é particularmente útil quando existe TSH diminuído e T4 livre normal. Nestas circunstâncias pode identificar-se uma situação de tirotoxicose dependente de T3, em que a única alteração hormonal evidente é a elevação da T3 livre.
8) Que fármacos podem interferir com a função tiroideia?
Entre os fármacos mais relevantes destacam-se a amiodarona, o lítio e o interferão. Estes medicamentos podem provocar alterações da função tiroideia, justificando monitorização periódica com TSH e T4 livre.
9) Como deve ser monitorizada a função tiroideia durante a terapêutica com amiodarona?
Recomenda-se a avaliação de TSH e T4 livre antes do início do tratamento e posteriormente, de forma periódica, geralmente a cada 6 meses, dada a elevada frequência de alterações tiroideias associadas a este fármaco.
10) Quando deve ser suspeitado hipotiroidismo central?
O hipotiroidismo central deve ser considerado quando existe T4 livre diminuído associado a TSH baixo ou inadequadamente normal. Nestes casos é importante avaliar a função hipofisária global e investigar eventual patologia hipotálamo-hipofisária.
11) A ecografia tiroideia deve ser pedida em todos os casos?
Não. A ecografia tiroideia está indicada sobretudo perante suspeita de doença estrutural, como bócio, nódulos ou assimetrias da glândula. Não deve ser utilizada como exame de rotina apenas para investigar alterações laboratoriais isoladas.
12) Quando deve ser considerada referenciação para Endocrinologia?
A referenciação deve ser ponderada em situações de hipertiroidismo persistente, suspeita de doença tiroideia complexa, hipotiroidismo central, alterações laboratoriais de difícil interpretação, gravidez com doença tiroideia significativa ou necessidade de investigação especializada.