Fibromialgia — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que é a fibromialgia?
A fibromialgia é uma síndrome de dor crónica caracterizada por dor musculoesquelética generalizada, frequentemente acompanhada de fadiga, perturbações do sono, alterações cognitivas (“fibro fog”) e múltiplos sintomas somáticos. Trata-se de uma condição de sensibilização central, sem lesão inflamatória ou estrutural identificável.
2) Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é essencialmente clínico e baseia-se nos critérios do American College of Rheumatology (ACR). A avaliação inclui o Índice de Dor Generalizada (WPI) e a Escala de Gravidade dos Sintomas (SS), associados à presença de sintomas persistentes durante pelo menos 3 meses.
3) Existem análises que confirmem a fibromialgia?
Não existem exames laboratoriais específicos para confirmar a fibromialgia. Os exames complementares são utilizados sobretudo para excluir diagnósticos alternativos, como doenças inflamatórias, endocrinológicas ou metabólicas.
4) Que exames são habitualmente recomendados?
De acordo com a avaliação clínica, podem ser solicitados hemograma, VS, PCR, TSH, creatina fosfoquinase (CK) e cálcio sérico. Outros exames devem ser reservados para situações em que existam sinais de alerta ou suspeita de outra patologia.
5) Os pontos dolorosos continuam a ser necessários para o diagnóstico?
Não. Os antigos tender points deixaram de ser obrigatórios nos critérios atuais. Atualmente, o diagnóstico baseia-se na distribuição da dor e na gravidade global dos sintomas reportados pela pessoa.
6) Quais são os sintomas mais frequentes?
Além da dor generalizada, são frequentes fadiga persistente, sono não reparador, dificuldade de concentração, alterações de memória, cefaleias, síndrome do intestino irritável, ansiedade e depressão.
7) Como é avaliado o impacto da doença?
Após o diagnóstico, recomenda-se a utilização do Questionário de Impacto da Fibromialgia Revisto (FIQR), que permite avaliar a função, o impacto global da doença e a intensidade dos sintomas, auxiliando a monitorização clínica.
8) Qual é o tratamento de primeira linha?
A base do tratamento é não farmacológica, incluindo educação da pessoa, exercício físico regular e progressivo, melhoria da qualidade do sono e estratégias de autogestão da doença. O exercício aeróbio e o treino de força apresentam a melhor evidência de benefício.
9) Os medicamentos são sempre necessários?
Não. Os medicamentos devem ser considerados apenas quando os sintomas persistem apesar das medidas não farmacológicas. Dependendo do perfil clínico, podem ser utilizados fármacos como duloxetina, amitriptilina ou pregabalina.
10) Os opioides estão recomendados?
Não. Os opioides fortes não são recomendados no tratamento da fibromialgia devido à limitada eficácia a longo prazo e ao risco de efeitos adversos, dependência e agravamento da sensibilização dolorosa.
11) A fibromialgia é uma doença progressiva?
A fibromialgia não provoca destruição articular nem lesão orgânica progressiva. Contudo, os sintomas podem oscilar ao longo do tempo, sendo influenciados por fatores como stress, perturbações do sono, sedentarismo ou doenças concomitantes.