Exacerbação de DPOC — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que é uma exacerbação aguda de DPOC?
Corresponde a um agravamento agudo da dispneia, tosse e/ou expetoração que ultrapassa a variabilidade habitual do doente e obriga a intensificação terapêutica. Pode ser desencadeada por infeções respiratórias, exposição a poluentes ou outras causas associadas.
2) Quais são os principais critérios de gravidade?
Os principais sinais de gravidade incluem hipoxemia, aumento importante do trabalho respiratório, alteração do estado de consciência, acidose respiratória, instabilidade hemodinâmica, necessidade de ventilação mecânica e ausência de resposta à terapêutica inicial.
3) Qual o objetivo da oxigenoterapia?
Na exacerbação de DPOC, a oxigenoterapia deve ser cuidadosamente titulada para manter SpO2 entre 88–92%. A administração excessiva de oxigénio pode agravar a hipercápnia em alguns doentes.
4) Quando devo iniciar antibioterapia?
A antibioterapia deve ser considerada sobretudo quando existe aumento da purulência da expetoração, aumento do volume da expetoração e agravamento da dispneia. Também pode estar indicada em exacerbações graves com necessidade de ventilação mecânica.
5) Qual o papel dos corticóides sistémicos?
Os corticóides sistémicos reduzem a duração da exacerbação, melhoram a função pulmonar e diminuem o risco de falência terapêutica. O esquema mais utilizado é prednisolona oral 40 mg/dia durante 5 dias.
6) Quando deve ser considerada ventilação não invasiva (VNI)?
A VNI deve ser considerada em casos de acidose respiratória hipercápnica, aumento do trabalho respiratório, hipoxemia persistente ou agravamento clínico apesar de broncodilatação e terapêutica inicial adequada.
7) Quais são as contraindicações para VNI?
As principais contraindicações incluem incapacidade de proteger a via aérea, vómitos ativos, diminuição importante do estado de consciência, instabilidade hemodinâmica grave, arritmias não controladas e ventilação espontânea inadequada.
8) Quando deve ser ponderada infeção por Pseudomonas aeruginosa?
Deve ser considerada sobretudo em doentes com DPOC muito grave, bronquiectasias, antibioterapia frequente, internamentos recorrentes ou colonização prévia conhecida por Pseudomonas aeruginosa.
9) O que deve ser revisto antes da alta?
Antes da alta devem ser revistos a técnica inalatória, adesão terapêutica, necessidade de otimização da terapêutica de manutenção (LAMA/LABA ± ICS), plano de ação e estratégias preventivas.
10) Qual o papel dos corticóides inalados (ICS) na DPOC?
Os ICS podem ser úteis em doentes com eosinofilia elevada, exacerbações frequentes ou coexistência de asma. Devem ser utilizados de forma individualizada, geralmente em associação com broncodilatadores de longa duração.
11) Que medidas ajudam a prevenir novas exacerbações?
As principais medidas preventivas incluem cessação tabágica, vacinação anti-gripal e anti-pneumocócica, otimização da terapêutica inalatória, atividade física regular e eventual reabilitação respiratória.