DPOC — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que abrange este algoritmo?
O algoritmo orienta a avaliação diagnóstica, classificação e tratamento da doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). Inclui critérios clínicos e funcionais de diagnóstico, classificação GOLD e fenótipo ABE, avaliação do risco de exacerbação e estratégias terapêuticas farmacológicas e não farmacológicas.
2) Quando devo suspeitar de DPOC?
Deve suspeitar-se de DPOC perante dispneia progressiva, tosse crónica, expetoração persistente, sibilância recorrente ou infeções respiratórias frequentes, sobretudo em indivíduos com antecedentes de tabagismo, exposição ocupacional a poeiras/gases ou outros fatores de risco ambientais.
3) Como se confirma o diagnóstico?
O diagnóstico requer demonstração de obstrução persistente do fluxo aéreo através de espirometria pós-broncodilatação. O critério funcional clássico corresponde a FEV1/FVC < 0,70. A espirometria é indispensável para confirmação diagnóstica.
4) Qual a diferença entre classificação GOLD e ABE?
A classificação GOLD 1–4 avalia a gravidade da limitação funcional com base no FEV1. Já a classificação ABE integra intensidade dos sintomas e risco de exacerbações, sendo atualmente utilizada para orientar a terapêutica inicial.
5) O que significa o grupo A?
O grupo A corresponde a doentes com poucos sintomas e baixo risco de exacerbações. Habitualmente a abordagem inicial consiste em bronco dilatação de longa ação em monoterapia (LAMA ou LABA), associada a cessação tabágica, vacinação e promoção de exercício físico.
6) Quando devo utilizar broncodilatação dupla (LAMA+LABA)?
A associação LAMA+LABA é recomendada sobretudo em doentes mais sintomáticos ou com limitação funcional relevante, particularmente nos grupos B e E. Atualmente privilegia-se utilização em inalador único sempre que possível.
7) Quando está indicado corticóide inalado (ICS)?
O ICS deve ser considerado principalmente em doentes com exacerbações frequentes, eosinofilia periférica ou coexistência de asma. A terapêutica tripla (ICS+LABA+LAMA) é geralmente reservada para doentes com maior risco exacerbador. O uso de ICS em monoterapia não é recomendado na DPOC.
8) O que são exacerbações da DPOC?
As exacerbações correspondem a agravamento agudo de sintomas respiratórios além da variabilidade habitual da doença, podendo exigir corticoterapia, antibioterapia, observação hospitalar ou internamento. A frequência de exacerbações influencia diretamente a classificação ABE e a estratégia terapêutica.
9) Que medidas não farmacológicas são fundamentais?
A cessação tabágica é a intervenção mais importante. Devem ainda ser promovidas vacinação (gripe, pneumocócica, COVID-19 e outras conforme contexto), exercício físico regular, educação sobre técnica inalatória e reabilitação pulmonar em casos selecionados.
10) Quando devo considerar reabilitação pulmonar?
A reabilitação pulmonar deve ser considerada em doentes com sintomas relevantes, limitação funcional importante ou após exacerbações. Está associada a melhoria da tolerância ao esforço, qualidade de vida e redução de internamentos.
11) A reversibilidade broncodilatadora exclui DPOC?
Não. Alguns doentes com DPOC podem apresentar reversibilidade parcial após broncodilatador. O diagnóstico deve integrar história clínica, fatores de risco e persistência de obstrução funcional. A presença de reversibilidade não exclui DPOC nem implica obrigatoriamente diagnóstico de asma.
12) Quando devo referenciar para avaliação especializada?
Deve considerar-se referenciação perante dúvida diagnóstica, exacerbações frequentes, insuficiência respiratória, necessidade de oxigenoterapia, suspeita de overlap asma-DPOC, progressão rápida da doença ou necessidade de terapêutica avançada, incluindo eventual terapêutica biológica.