Classificação EU-TIRADS do nódulo da tiroide — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que é o sistema EU-TIRADS?
O EU-TIRADS (European Thyroid Imaging Reporting and Data System) é um sistema de estratificação ecográfica desenvolvido pela European Thyroid Association para estimar o risco de malignidade dos nódulos da tiroide. Permite uniformizar os relatórios ecográficos e orientar a decisão sobre a necessidade de citologia aspirativa por agulha fina (PAAF).
2) Quais são as categorias do EU-TIRADS?
O sistema classifica os nódulos em quatro categorias principais: EU-TIRADS 2 (benigno), EU-TIRADS 3 (baixo risco), EU-TIRADS 4 (risco intermédio) e EU-TIRADS 5 (alto risco). O risco de malignidade aumenta progressivamente de acordo com as características ecográficas observadas.
3) Quais são os critérios ecográficos de alta suspeição?
Os principais critérios de alta suspeição incluem hipoecogenicidade marcada, microcalcificações, margens irregulares, forma não oval (mais alta do que larga) e adenopatias cervicais suspeitas. A presença de qualquer destes achados aumenta significativamente a probabilidade de malignidade.
4) Quando está indicada a citologia aspirativa por agulha fina (PAAF)?
A indicação para PAAF depende da combinação entre a categoria EU-TIRADS e a dimensão do nódulo. De forma geral, recomenda-se PAAF para nódulos EU-TIRADS 5 ≥10 mm, EU-TIRADS 4 ≥15 mm e EU-TIRADS 3 ≥20 mm. Nódulos benignos (EU-TIRADS 2) raramente necessitam de citologia.
5) Um nódulo pequeno e muito suspeito deve ser biopsado?
Nem sempre. Em nódulos EU-TIRADS 5 com menos de 10 mm, pode optar-se por vigilância ativa ou realizar PAAF em situações selecionadas, como idade jovem, crescimento documentado, adenopatias suspeitas ou elevada preocupação clínica.
6) O que significa um nódulo EU-TIRADS 2?
Os nódulos classificados como EU-TIRADS 2 correspondem geralmente a quistos simples ou nódulos espongiformes, apresentando risco de malignidade muito baixo ou praticamente nulo. Habitualmente não necessitam de PAAF, exceto em situações particulares.
7) O sistema EU-TIRADS aplica-se a todos os nódulos?
O sistema foi desenvolvido para nódulos avaliados por ecografia, mas a interpretação deve ser integrada com os dados clínicos e laboratoriais. Em doentes com TSH diminuído, a realização de cintigrafia tiroideia pode ser necessária antes de decidir a realização de PAAF.
8) Os nódulos hiperfuncionantes necessitam de PAAF?
Regra geral, os nódulos hiperfuncionantes (“quentes”) apresentam um risco de malignidade muito baixo. Nestes casos, a prioridade é a avaliação funcional e o tratamento do eventual hipertiroidismo, sendo a PAAF raramente necessária.
9) O que fazer perante um resultado benigno na citologia?
Perante uma citologia benigna (Bethesda II), recomenda-se vigilância clínica e ecográfica periódica. A repetição da PAAF deve ser considerada se ocorrer crescimento significativo do nódulo ou aparecimento de novos critérios ecográficos suspeitos.
10) O crescimento do nódulo significa necessariamente cancro?
Não. Muitos nódulos benignos podem aumentar de tamanho ao longo do tempo. Contudo, um aumento significativo do volume ou o aparecimento de novas características ecográficas suspeitas justificam reavaliação e eventual repetição da citologia.
11) Quando deve ser repetida a PAAF?
A repetição da PAAF deve ser considerada quando existe crescimento relevante do nódulo, surgimento de novos critérios ecográficos suspeitos ou quando a citologia inicial foi não diagnóstica. A decisão deve ser individualizada de acordo com o risco clínico e imagiológico.