Cancro Oral — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que abrange este algoritmo?
Este algoritmo orienta a avaliação do risco, rastreio oportunístico, exame da cavidade oral e referenciação de lesões suspeitas de cancro oral. Integra a identificação de fatores de risco, sintomas de alerta, lesões potencialmente pré-malignas, como leucoplasia e eritroplasia, e critérios para biópsia e referenciação hospitalar.
2) Quem deve ser considerado de maior risco para cancro oral?
Devem ser considerados de maior risco os utentes com um ou mais fatores como idade superior a 40 anos, sexo masculino, tabagismo e consumo excessivo de álcool. O risco aumenta particularmente quando existe associação entre tabaco e álcool.
3) Deve ser feito rastreio oportunístico do cancro oral?
Sim. Em utentes de maior risco, o rastreio oportunístico através da observação sistemática da cavidade oral pode ser realizado em consulta. Quando aplicável, deve ser repetido periodicamente, por exemplo a cada 2 anos, de acordo com as recomendações e circuitos locais.
4) Que sintomas devem motivar observação da cavidade oral?
Devem motivar avaliação sintomas como dor oral persistente, úlceras que não cicatrizam, alterações da cor ou superfície da mucosa oral, tumefações, aumento de volume não habitual, parestesias da cavidade oral ou perioral e queixas referidas à região oral sem explicação evidente.
5) Como deve ser realizado o exame da cavidade oral?
O exame deve ser sistemático e incluir observação dos lábios, mucosa jugal, gengiva, pavimento da boca, palato, amígdalas e língua, incluindo os bordos laterais e face ventral. Deve ser feita palpação das zonas suspeitas e avaliação extraoral da cabeça e pescoço, incluindo cadeias ganglionares cervicais.
6) O que é uma leucoplasia?
A leucoplasia é uma placa branca não removível que não pode ser classificada como outra doença. Antes deste diagnóstico, devem ser excluídas causas como candidíase, líquen plano oral e lesões queratósicas por traumatismo crónico. O diagnóstico definitivo é histopatológico.
7) Que características aumentam o risco maligno de uma leucoplasia?
O risco é maior quando a lesão persiste no tempo, se localiza em áreas de alto risco, como pavimento da boca, face ventral da língua, palato duro ou orofaringe, ou quando apresenta aspeto não homogéneo, com áreas vermelhas, nodularidade, superfície exofítica ou dimensões superiores a 2 cm.
8) O que é uma eritroplasia?
A eritroplasia é uma mancha ou placa vermelha da mucosa oral, geralmente macia, que não pode ser atribuída a outra causa. Embora seja menos frequente do que a leucoplasia, tem potencial maligno superior e deve ser valorizada como lesão de alto risco.
9) Que lesões devem ser consideradas suspeitas de malignidade?
Devem ser consideradas suspeitas as úlceras sem cicatrização após 2–3 semanas sem causa traumática evidente, lesões endurecidas ou infiltrativas, tumefações progressivas, massas submucosas, lesões exofíticas ou ulceroproliferativas, alterações persistentes da mucosa e adenopatias cervicais sem explicação clara.
10) Quando está indicada biópsia?
A biópsia está indicada perante lesões suspeitas de malignidade ou lesões potencialmente pré-malignas, como leucoplasia ou eritroplasia, após exclusão de causas benignas evidentes. Em cuidados de saúde primários, o passo habitual é referenciar para avaliação especializada e confirmação histopatológica.
11) O que fazer perante diagnóstico de lesão potencialmente maligna ou cancro oral?
Perante diagnóstico histológico de lesão potencialmente maligna ou cancro oral, o utente deve ser referenciado para consulta hospitalar, preferencialmente em circuito adequado à gravidade e suspeita clínica, para estadiamento, tratamento e seguimento especializado.