Rastreio do cancro do colo do útero — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que abrange este algoritmo?
O algoritmo descreve a abordagem atual do rastreio do cancro do colo do útero baseado na pesquisa primária de HPV de alto risco, incluindo critérios de elegibilidade, exclusão, interpretação dos resultados, utilização da dupla marcação p16/Ki67 e referenciação para Unidade de Patologia Cervical.
2) Quem deve realizar o rastreio?
O programa de rastreio destina-se a mulheres com colo do útero e idade entre 30 e 69 anos, assintomáticas e sem critérios de exclusão. O objetivo é identificar infeções persistentes por HPV de alto risco e lesões precursoras antes da progressão para cancro invasivo.
3) Quais são os principais critérios de exclusão?
Entre os critérios de exclusão definitiva incluem-se antecedentes de neoplasia maligna do colo do útero ou integração em programas específicos de vigilância especializada. Existem ainda situações temporárias que podem justificar adiamento do rastreio até conclusão da investigação ou tratamento em curso.
4) Qual é o exame utilizado no rastreio primário?
O rastreio primário baseia-se na pesquisa de genótipos oncogénicos do HPV. Este método apresenta maior sensibilidade para identificação de lesões precursoras quando comparado com a citologia convencional utilizada em programas anteriores.
5) A auto-colheita é permitida?
Sim. A colheita pode ser realizada por profissional de saúde ou através de auto-colheita vaginal, quando disponível e adequada ao contexto clínico. A interpretação dos resultados segue, na maioria das situações, os mesmos critérios aplicados às amostras colhidas por profissionais.
6) O que significa um resultado HPV negativo?
Um resultado HPV negativo indica risco muito baixo de lesões cervicais significativas nos anos seguintes. Nestes casos, a mulher regressa ao programa de rastreio, sendo habitualmente recomendada nova avaliação ao fim de 5 anos.
7) O que acontece quando é identificado HPV 16 ou HPV 18?
Os genótipos HPV 16 e HPV 18 estão associados ao maior risco de desenvolvimento de lesões de alto grau e cancro cervical. A sua deteção justifica referenciação direta para Unidade de Patologia Cervical, sem necessidade de etapas intermédias de triagem.
8) O que fazer quando o teste é positivo para outros genótipos oncogénicos?
Quando o teste é positivo para HPV de alto risco diferente de 16 ou 18, deve realizar-se uma avaliação complementar através de citologia com dupla marcação imunohistoquímica p16/Ki67, permitindo estratificar melhor o risco de lesão cervical significativa.
9) Qual é o significado da dupla marcação p16/Ki67?
A dupla marcação p16/Ki67 identifica alterações celulares associadas à transformação oncogénica induzida pelo HPV. Um resultado positivo aumenta a probabilidade de lesão intraepitelial de alto grau, enquanto um resultado negativo sugere menor risco de doença significativa.
10) O que acontece se a dupla marcação for negativa?
Quando a avaliação por p16/Ki67 é negativa, a mulher não necessita de referenciação imediata. Nestes casos recomenda-se habitualmente novo rastreio ao fim de 1 ano, permitindo confirmar a resolução ou persistência da infeção.
11) Quando é necessária referenciação para Unidade de Patologia Cervical?
A referenciação está indicada perante deteção de HPV 16/18 ou quando a avaliação complementar por p16/Ki67 apresenta resultado positivo. Estas situações justificam investigação especializada, geralmente através de colposcopia e eventual biópsia.
12) A vacinação contra o HPV elimina a necessidade de rastreio?
Não. Apesar de reduzir significativamente o risco de infeção pelos principais genótipos oncogénicos, a vacinação não protege contra todos os tipos de HPV associados ao cancro cervical. Assim, as mulheres vacinadas devem continuar a participar nos programas de rastreio de acordo com as recomendações em vigor.