Infeção do pé diabético — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que abrange esta tabela?
Esta tabela organiza a abordagem clínica e terapêutica da infeção do pé diabético, estratificando os doentes de acordo com a gravidade (ligeira, moderada e grave), a extensão da infeção e a presença de sinais sistémicos ou isquemia. Inclui esquemas antibióticos de primeira linha, alternativas terapêuticas e orientações práticas para reavaliação clínica, colheita de culturas e suspeita de complicações como osteomielite.
2) Quais são os microrganismos mais frequentes na infeção do pé diabético?
Nas infeções ligeiras predominam Staphylococcus aureus e Streptococcus spp.. Nas formas moderadas a graves, especialmente em úlceras crónicas ou previamente tratadas, é frequente uma flora polimicrobiana, incluindo bacilos gram-negativos e anaeróbios. O contexto clínico orienta a escolha da antibioterapia empírica.
3) Quando posso tratar em ambulatório?
As infeções ligeiras e muitas moderadas sem sinais sistémicos podem ser tratadas em ambulatório com antibioterapia oral, desde que seja possível garantir adesão terapêutica, cuidados locais adequados e reavaliação precoce. A ausência de sinais de gravidade é essencial para esta abordagem.
4) Quando está indicada antibioterapia intravenosa?
A antibioterapia intravenosa está indicada em infeções graves, na presença de sinais sistémicos como febre, hipotensão ou sépsis, ou quando existe falência da terapêutica oral. Também deve ser considerada em doentes com compromisso significativo do estado geral ou dificuldade em garantir tratamento em ambulatório.
5) Quando devo suspeitar de envolvimento de anaeróbios?
Deve suspeitar-se de infeção por anaeróbios em contexto de úlceras crónicas, tecido necrótico, odor fétido ou infeções profundas. Nestes casos, a antibioterapia deve incluir cobertura adequada, frequentemente com associações como amoxicilina + ácido clavulânico ou esquemas combinados.
6) Quando devo considerar Pseudomonas aeruginosa?
A suspeita de Pseudomonas aeruginosa deve surgir em doentes com exposição frequente a ambientes húmidos (ex.: piscinas), infeções recorrentes, antibioterapia recente ou colonização prévia. Nestes casos, pode ser necessário ajustar a antibioterapia para cobertura específica.
7) Qual é o papel do desbridamento?
O desbridamento é um elemento fundamental no tratamento, permitindo remover tecido desvitalizado, reduzir a carga bacteriana e facilitar a cicatrização. Deve ser realizado sempre que exista tecido necrótico ou suspeita de infeção profunda, sendo frequentemente necessário em associação com antibioterapia.
8) Quando devo suspeitar de osteomielite?
A osteomielite deve ser considerada em úlceras profundas, com exposição óssea, teste probe-to-bone positivo, duração prolongada ou ausência de cicatrização. Nestes casos, deve ser realizada avaliação adicional, incluindo imagiologia, e ajustada a abordagem terapêutica.
9) Qual a importância da reavaliação clínica?
A reavaliação em 48–72 horas é essencial para avaliar a resposta ao tratamento, identificar sinais de agravamento e ajustar a antibioterapia se necessário. A ausência de melhoria deve levar à reconsideração do diagnóstico, à colheita de culturas e à exclusão de complicações.
10) Quando devo referenciar ao Serviço de Urgência?
A referenciação urgente está indicada em infeções graves, presença de sépsis, isquemia crítica, suspeita de infeção necrosante ou necessidade de intervenção cirúrgica. Também deve ser considerada quando existe rápida progressão da infeção ou falência terapêutica em ambulatório.