Infeções odontogénicas — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que abrange esta tabela?
Esta tabela organiza a abordagem clínica das principais infeções odontogénicas, incluindo abcesso periapical/dentoalveolar, pericoronarite, abcesso periodontal com manifestações sistémicas, periodontite recorrente, gengivite/periodontite necrosante e infeções graves com envolvimento das fáscias. Integra ainda situações em que a antibioterapia não está indicada, bem como esquemas terapêuticos de referência para adultos e crianças.
2) Quais são as principais infeções odontogénicas incluídas?
As entidades mais frequentes incluídas são o abcesso periapical, geralmente associado a necrose pulpar e cárie dentária, a pericoronarite, relacionada com dentes parcialmente erupcionados, e o abcesso periodontal, habitualmente associado a doença periodontal prévia. A tabela inclui também formas mais complexas, como periodontite recorrente, doenças periodontais necrosantes e infeções cervicofaciais profundas.
3) Que avaliação inicial deve ser realizada?
A abordagem deve começar por história clínica dirigida e exame objetivo, procurando identificar dor dentária localizada, edema gengival ou facial, drenagem purulenta, dificuldade na mastigação, trismo, halitose e sinais sistémicos como febre ou mal-estar. Sempre que possível, deve ser feita avaliação odontológica para confirmação do foco infeccioso e planeamento do tratamento local.
4) Quando está indicada antibioterapia?
A antibioterapia deve ser reservada para situações com infeção disseminada, envolvimento dos tecidos profundos, abcessos com sinais sistémicos, doença periodontal necrosante extensa ou sinais de gravidade. Nas infeções odontogénicas localizadas, o tratamento principal continua a ser a abordagem dentária local, incluindo drenagem, tratamento endodôntico, desbridamento periodontal ou extração.
5) Em que situações a antibioterapia não está indicada?
Na maioria dos casos de gengivite, pulpite, alveolite fibrinolítica, odontalgia por cárie sem sinais de infeção sistémica e abcesso periodontal sem manifestações sistémicas, a antibioterapia não está indicada. Nestes contextos, a abordagem correta é tratamento local e controlo sintomático, evitando a prescrição desnecessária de antibióticos.
6) Qual é a terapêutica de primeira linha nas infeções odontogénicas mais comuns?
Nas infeções odontogénicas agudas mais frequentes, a terapêutica de primeira linha é habitualmente a amoxicilina. Em situações selecionadas, como suspeita de beta-lactamases, falência terapêutica ou infeção mais extensa, pode ser necessário utilizar amoxicilina + ácido clavulânico. Na periodontite recorrente e em algumas infeções periodontais extensas, pode estar indicada a associação amoxicilina + metronidazol. Nas doenças periodontais necrosantes, o metronidazol é geralmente a primeira opção.
7) O que fazer em caso de alergia a beta-lactâmicos?
Em doentes com alergia a beta-lactâmicos, a alternativa mais utilizada é a clindamicina. Em algumas situações, sobretudo em pediatria ou em casos selecionados, pode também considerar-se azitromicina. A escolha deve ser individualizada de acordo com a gravidade da infeção, idade, antecedentes e padrão clínico.
8) Como distinguir abcesso periapical de abcesso periodontal?
O abcesso periapical tem geralmente origem endodôntica, associa-se a necrose pulpar e manifesta-se por dor dentária intensa, dor à percussão e eventual edema local. O abcesso periodontal relaciona-se com doença periodontal, apresenta frequentemente bolsa periodontal profunda, supuração pelo sulco gengival e pode associar-se a mobilidade dentária. Esta distinção é importante porque o tratamento definitivo é diferente em cada entidade.
9) Quando devo suspeitar de gravidade e referenciar para o hospital?
Deve ser considerada referenciação hospitalar urgente perante edema cervicofacial progressivo, trismo marcado, disfagia, odinofagia, dificuldade respiratória, elevação da língua, compromisso do pavimento da boca, febre elevada, sinais de sépsis ou imunossupressão significativa. Estas características sugerem infeção extensa com envolvimento das fáscias e risco de comprometimento da via aérea.
10) Qual é o papel do tratamento local?
O tratamento local é o pilar terapêutico na maioria das infeções odontogénicas. Pode incluir drenagem do abcesso, tratamento endodôntico, extração dentária, desbridamento periodontal, irrigação do alvéolo ou controlo da placa bacteriana. A antibioterapia, quando indicada, funciona como adjuvante e não substitui o tratamento dentário.