Visão geral da tabela
Esta tabela apresenta uma visão estruturada da abordagem terapêutica das principais infeções do trato urinário, organizando os diferentes quadros clínicos de acordo com a sua localização anatómica, contexto clínico e população afetada. O objetivo é apoiar a abordagem prática das infeções urinárias em cuidados de saúde primários, permitindo iniciar tratamento antibiótico empírico adequado e identificar situações que exigem investigação adicional, vigilância clínica mais apertada ou eventual referenciação hospitalar.
Infeções urinárias baixas
As infeções urinárias baixas incluem sobretudo a cistite aguda não complicada na mulher, uma das infeções bacterianas mais frequentes na prática clínica. Este quadro manifesta-se habitualmente por disúria, polaquiúria, urgência urinária ou desconforto suprapúbico, sem sinais sistémicos de infeção. Na maioria dos casos o diagnóstico é essencialmente clínico, e o tratamento pode ser realizado em regime ambulatório com antibioterapia de curta duração. A evolução clínica deve ser reavaliada caso surjam febre, dor lombar ou agravamento dos sintomas, situações que podem sugerir progressão para infeção urinária alta.
Cistite na gravidez e bacteriúria assintomática
A cistite durante a gravidez exige particular atenção devido ao maior risco de complicações maternas e fetais. Nestes casos recomenda-se realizar urocultura sempre que possível antes do início da antibioterapia e escolher antibióticos com perfil de segurança adequado durante a gestação. A tabela inclui também a bacteriúria assintomática, que na maioria dos adultos não necessita de tratamento, mas que deve ser tratada na gravidez ou antes de determinados procedimentos urológicos invasivos, devido ao risco de progressão para infeção sintomática.
Cistite no homem
A cistite no homem é habitualmente considerada uma infeção urinária complicada. Nestes casos deve existir maior atenção à possibilidade de patologia urológica subjacente ou de envolvimento prostático. Recomenda-se frequentemente a realização de urocultura antes do início da antibioterapia, e a duração do tratamento tende a ser mais prolongada do que na cistite não complicada da mulher. Em episódios recorrentes deve ser considerada a investigação de causas predisponentes.
Pielonefrite aguda
A pielonefrite aguda corresponde a uma infeção do trato urinário superior e manifesta-se geralmente por febre, calafrios, dor lombar e sintomas urinários associados. Sempre que possível deve ser realizada urocultura antes do início da antibioterapia. Em situações de maior gravidade — como sépsis, vómitos persistentes, gravidez ou presença de comorbilidades relevantes — pode ser necessário internamento hospitalar e administração de antibióticos por via intravenosa.
Prostatite aguda e prostatite crónica
Entre as outras infeções urológicas incluídas na tabela destaca-se a prostatite aguda bacteriana, que se caracteriza tipicamente por febre, sintomas urinários baixos e dor perineal. Ao exame físico pode observar-se uma próstata dolorosa à palpação. O tratamento antibiótico deve incluir fármacos com boa penetração prostática e ser mantido durante várias semanas. A prostatite crónica bacteriana, por sua vez, caracteriza-se por sintomas persistentes ou recorrentes durante mais de três meses, frequentemente associados a dor pélvica ou episódios repetidos de infeção urinária.
Epididimite e orquiepididimite
A epididimite ou orquiepididimite manifesta-se habitualmente por dor escrotal unilateral, edema escrotal e sensibilidade local, podendo associar-se febre ou sintomas urinários. Em homens jovens sexualmente ativos deve considerar-se a possibilidade de etiologia de transmissão sexual, enquanto em homens mais velhos são mais frequentes as infeções por bactérias de origem urinária. Perante dor escrotal aguda é fundamental excluir torção testicular, uma emergência urológica.
Infeções urinárias em idade pediátrica
A tabela inclui também a abordagem das infeções do trato urinário em idade pediátrica, distinguindo entre infeções febris e afebris. Nas crianças, a confirmação diagnóstica com urocultura é particularmente importante e a decisão terapêutica deve ter em conta a idade da criança, a gravidade do quadro clínico e a presença de fatores predisponentes, como obstipação, disfunção miccional ou malformações urinárias.
Interpretação prática
De forma global, a leitura desta tabela deve seguir uma abordagem baseada na localização da infeção e na gravidade do quadro clínico. Em primeiro lugar, identificar se se trata de uma infeção baixa ou alta, ou de outra infeção urológica específica, como prostatite ou epididimite. Em seguida, iniciar tratamento antibiótico empírico adequado quando indicado e proceder à colheita de exames microbiológicos sempre que possível. A evolução clínica deve ser reavaliada em 48–72 horas, ajustando o tratamento de acordo com os resultados laboratoriais e a resposta do doente.