Infeções sexualmente transmissíveis — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que abrange esta tabela?
Esta tabela organiza a abordagem clínica das principais infeções sexualmente transmissíveis segundo uma lógica sindrómica, incluindo uretrite/corrimento uretral, cervicite mucopurulenta, úlcera genital, proctite infecciosa, doença inflamatória pélvica e epididimite de provável etiologia sexual. Para cada situação são apresentados critérios clínicos orientadores do diagnóstico, esquemas terapêuticos e notas práticas para a abordagem em cuidados de saúde primários.
2) Porque é que a abordagem é feita por síndromes e não apenas por agente?
Na prática clínica, muitas IST são tratadas inicialmente de forma empírica, antes da identificação microbiológica do agente causal. Por isso, a tabela está organizada por síndromes clínicos, como corrimento uretral, cervicite, úlcera genital ou proctite, permitindo iniciar rapidamente tratamento dirigido aos agentes mais prováveis, enquanto se aguardam os resultados laboratoriais.
3) Quais são as etiologias mais frequentes da uretrite e da cervicite?
As etiologias mais frequentes são Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. Por esse motivo, a abordagem empírica inicial nestes síndromes deve habitualmente cobrir ambos os agentes. Em situações persistentes ou recorrentes, devem ser consideradas outras etiologias, como Mycoplasma genitalium.
4) Quando devo suspeitar de uretrite de transmissão sexual?
Deve suspeitar-se de uretrite de transmissão sexual perante corrimento uretral, disúria, irritação uretral ou desconforto genital, sobretudo em contexto de relação sexual desprotegida ou novo parceiro sexual. Mesmo na ausência de confirmação microbiológica imediata, é frequentemente indicado iniciar tratamento empírico.
5) Como reconhecer uma úlcera genital de provável origem infecciosa?
A presença de lesões ulceradas genitais deve levar a considerar causas infecciosas como sífilis, cancro mole, linfogranuloma venéreo ou granuloma inguinal. A caracterização clínica da úlcera — nomeadamente se é dolorosa ou indolor, única ou múltipla, superficial ou profunda — pode orientar a suspeita etiológica, embora a confirmação laboratorial seja importante sempre que possível.
6) O que fazer perante suspeita de proctite infecciosa?
A proctite infecciosa deve ser suspeitada perante dor retal, tenesmo, corrimento mucoso ou purulento e por vezes sangramento retal, particularmente em contexto de exposição sexual anal. As etiologias mais frequentes são Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, devendo considerar-se formas mais graves, como o linfogranuloma venéreo.
7) Quando devo suspeitar de doença inflamatória pélvica?
A doença inflamatória pélvica deve ser considerada perante dor pélvica, corrimento genital, febre ou dor à mobilização cervical, sobretudo em mulheres sexualmente ativas com risco para IST. Trata-se de uma complicação importante das infeções genitais e exige tratamento empírico rápido, dado o risco de sequelas como infertilidade ou dor pélvica crónica.
8) Quando devo suspeitar de epididimite de transmissão sexual?
A epididimite de transmissão sexual deve ser suspeitada em homens jovens sexualmente ativos com dor escrotal, edema testicular e sensibilidade local, geralmente com início gradual. As etiologias mais frequentes são clamídia e gonorreia, sendo importante iniciar tratamento empírico e excluir complicações ou diagnósticos alternativos.
9) Quando está indicado tratar os parceiros sexuais?
O tratamento dos parceiros sexuais é uma parte essencial da abordagem das IST, de forma a reduzir o risco de transmissão e reinfeção. Isto é particularmente importante em situações como uretrite, cervicite, gonorreia, clamídia e tricomoníase. A abordagem dos parceiros deve ser feita de acordo com o contexto clínico e as recomendações locais.
10) É sempre necessário esperar pelos resultados microbiológicos para tratar?
Não. Em muitos casos, sobretudo quando existe um síndrome clínico típico, o tratamento deve ser iniciado de forma empírica, antes da confirmação laboratorial, particularmente na uretrite, cervicite, doença inflamatória pélvica e epididimite de provável etiologia sexual. No entanto, sempre que possível, devem ser realizadas colheitas para testes microbiológicos antes do início da antibioterapia.
11) Que outros rastreios devem ser considerados?
Perante suspeita ou confirmação de uma infeção sexualmente transmissível, deve ser considerado o rastreio de outras IST, nomeadamente VIH, sífilis e, em contextos apropriados, hepatite B e hepatite C. Esta abordagem é importante porque a coinfeção é relativamente frequente e pode alterar o seguimento clínico.