Infeções respiratórias — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que abrange esta tabela?
Esta tabela organiza a abordagem clínica e terapêutica das principais infeções respiratórias, incluindo pneumonia adquirida na comunidade, exacerbação aguda de DPOC, traqueobronquite aguda, tosse convulsa e pneumonia aspirativa, bem como complicações como empiema e abcesso pulmonar. Para cada entidade são apresentados critérios clínicos orientadores, esquemas antibióticos e sinais de alarme.
2) Quais são os microrganismos mais frequentes nas infeções respiratórias?
Os agentes mais comuns incluem Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis na pneumonia e exacerbação de DPOC. Nos agentes atípicos destacam-se Mycoplasma pneumoniae e Chlamydophila pneumoniae. Na tosse convulsa, o agente é o Bordetella pertussis, enquanto na pneumonia aspirativa predominam microrganismos anaeróbios.
3) Quando devo iniciar antibioterapia na pneumonia?
A antibioterapia deve ser iniciada perante suspeita de pneumonia bacteriana, nomeadamente na presença de febre, tosse produtiva, dor torácica e sinais auscultatórios ou radiológicos. A escolha do antibiótico depende da presença de comorbilidades e da gravidade clínica.
4) A traqueobronquite aguda necessita de antibiótico?
Na maioria dos casos, não. A traqueobronquite aguda é geralmente de etiologia viral e autolimitada, devendo o tratamento ser de suporte. A antibioterapia deve ser reservada para casos graves ou com suspeita de infeção bacteriana.
5) Quando tratar exacerbação de DPOC com antibiótico?
A antibioterapia deve ser considerada quando existe aumento da dispneia, aumento do volume de expetoração e/ou purulência, sobretudo se associados a febre ou agravamento clínico. Nestes casos, há maior probabilidade de etiologia bacteriana.
6) Quando suspeitar de pneumonia aspirativa?
Deve suspeitar-se em doentes com disfagia, alteração do estado de consciência, doença neurológica ou episódios de aspiração. Nestes casos, é importante assegurar cobertura antibiótica para anaeróbios.
7) Quais são os sinais de alarme nas infeções respiratórias?
Devem ser valorizados sinais como dispneia marcada, hipoxemia, febre persistente, deterioração clínica, dor torácica intensa ou suspeita de complicações como empiema e abcesso pulmonar.
8) Quando devo referenciar ao Serviço de Urgência?
A referenciação urgente está indicada perante suspeita de insuficiência respiratória, sépsis, complicações pulmonares, necessidade de oxigenoterapia ou agravamento clínico rápido, especialmente em doentes idosos ou com comorbilidades.
9) Qual é o papel dos exames complementares?
O diagnóstico inicial é frequentemente clínico, mas a radiografia torácica é importante na suspeita de pneumonia. Exames microbiológicos podem ser úteis em casos graves, recorrentes ou com falência terapêutica.
10) Qual a duração habitual da antibioterapia?
A duração depende da entidade clínica, sendo geralmente 5–7 dias na maioria das infeções respiratórias não complicadas, podendo ser prolongada em situações mais graves ou complicadas.