Infeções otorrinolaringológicas — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que abrange esta tabela?
Esta tabela organiza a abordagem clínica e terapêutica das principais infeções otorrinolaringológicas, incluindo otites externas e médias, rinossinusites, faringoamigdalites e infeções mais graves como mastoidite ou infeções cervicais profundas. Para cada entidade são apresentados critérios clínicos orientadores, esquemas antibióticos de primeira linha, alternativas e sinais de alarme para referenciação.
2) Quais são os microrganismos mais frequentes nas infeções ORL?
Os agentes mais comuns incluem Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis nas infeções do ouvido médio e sinusais. Na faringoamigdalite bacteriana, o principal agente é o Streptococcus pyogenes. Na otite externa, predominam Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus.
3) Quando devo suspeitar de etiologia bacteriana na rinossinusite?
A suspeita de rinossinusite bacteriana deve ser considerada perante sintomas persistentes >10 dias, agravamento após melhoria inicial ou quadro grave com febre elevada, dor facial intensa e secreção purulenta. Na maioria dos casos, a etiologia inicial é viral, pelo que a antibioterapia não está indicada de rotina.
4) Quando iniciar antibioterapia na otite média aguda?
A antibioterapia deve ser considerada em crianças pequenas, quadros com dor intensa, febre elevada ou otite bilateral. Em casos ligeiros, pode optar-se por vigilância clínica inicial. A amoxicilina é geralmente o antibiótico de primeira linha.
5) Como abordar a otite externa?
A otite externa difusa é habitualmente tratada com antibióticos tópicos, frequentemente associados a corticoide. A antibioterapia sistémica deve ser reservada para casos com extensão para tecidos adjacentes, imunossupressão ou falência terapêutica. A limpeza do canal auditivo é um elemento importante da abordagem.
6) Quais são os sinais de alarme nas infeções ORL?
Devem ser valorizados sinais como dor intensa desproporcional, edema periorbitário, alterações neurológicas, trismo, dificuldade respiratória, estridor ou toxidade sistémica. Estes achados podem indicar complicações graves e exigem avaliação urgente.
7) Quando devo referenciar ao Serviço de Urgência?
A referenciação urgente está indicada perante suspeita de otite externa maligna, mastoidite, abcesso periamigdalino, epiglotite ou infeções cervicais profundas. Também deve ser considerada em doentes com sépsis, imunossupressão ou deterioração clínica rápida.
8) Qual é o papel dos exames complementares?
A maioria das infeções ORL é de diagnóstico clínico. Exames como ecografia ou TC estão reservados para suspeita de complicações. Testes microbiológicos são úteis em casos recorrentes, graves ou com falência terapêutica.
9) Como diferenciar faringite viral de bacteriana?
A faringite viral associa-se frequentemente a tosse, rinorreia e sintomas sistémicos ligeiros. A faringoamigdalite bacteriana apresenta tipicamente febre, exsudado amigdalino, adenopatias cervicais dolorosas e ausência de tosse. O uso de critérios clínicos pode ajudar na decisão terapêutica.
10) Qual a duração habitual da antibioterapia?
A duração depende da patologia: geralmente 5–7 dias em sinusite e otite, e 10 dias na faringoamigdalite por Streptococcus pyogenes. Deve ser ajustada à evolução clínica e às recomendações específicas de cada entidade.