Infeções oftalmológicas — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que abrange esta tabela?
Esta tabela organiza a abordagem clínica das principais infeções oftalmológicas, incluindo conjuntivite bacteriana, blefarite/blefaroconjuntivite, queratite bacteriana e úlcera corneana, hordéolo, calázio com infeção secundária, dacriocistite, canaliculite, dacrioadenite aguda infecciosa, celulite pré-septal, celulite orbitária e endoftalmite. Para cada situação são apresentados critérios clínicos orientadores do diagnóstico, esquemas terapêuticos e situações que exigem referenciação urgente para Oftalmologia.
2) Que avaliação inicial deve ser realizada perante uma queixa oftalmológica infecciosa?
A avaliação inicial deve procurar identificar dor ocular, fotofobia, diminuição da acuidade visual, tipo de secreção, edema palpebral, presença de opacidade corneana, proptose e limitação da motilidade ocular. É também importante confirmar antecedentes de uso de lentes de contacto, cirurgia ocular recente, trauma ocular, injeções intravítreas e doença palpebral ou lacrimal prévia.
3) Como distinguir conjuntivite bacteriana de queratite?
A conjuntivite bacteriana manifesta-se tipicamente por olho vermelho, secreção mucopurulenta e desconforto ocular, habitualmente sem dor intensa, sem fotofobia marcada e sem diminuição significativa da visão. Pelo contrário, a queratite deve ser suspeitada perante dor ocular importante, fotofobia, alteração visual e eventual opacidade ou mancha branca na córnea. Esta distinção é essencial porque a queratite é uma situação potencialmente grave e pode exigir tratamento intensivo e referenciação urgente.
4) Quando está indicada antibioterapia tópica?
A antibioterapia tópica está indicada sobretudo na conjuntivite bacteriana com necessidade de tratamento, na blefarite/blefaroconjuntivite com suspeita de infeção bacteriana associada, em hordéolo com infeção associada, em calázio com infeção secundária e na queratite bacteriana, onde assume um papel central. Em situações como dacriocistite crónica ou canaliculite, pode ser usada para controlo de exacerbações, embora nem sempre seja curativa.
5) Quando está indicada antibioterapia oral?
A antibioterapia oral está indicada sobretudo nas infeções com envolvimento palpebral, lacrimal ou periocular, como celulite pré-septal, dacriocistite aguda e dacrioadenite aguda infecciosa. Pode também estar indicada em hordéolo extenso ou quando existe suspeita de celulite palpebral associada. Em algumas situações crónicas, como blefarite posterior, disfunção das glândulas de Meibómio ou lesões palpebrais recorrentes associadas a rosácea ocular, a doxiciclina pode ser utilizada pelo seu efeito anti-inflamatório.
6) Quando devo suspeitar de gravidade e referenciar urgentemente?
Deve ser considerada referenciação urgente para Oftalmologia perante dor ocular intensa, fotofobia marcada, diminuição da acuidade visual, opacidade corneana, hipópio, proptose, dor à mobilização ocular, limitação da motilidade ocular, diplopia ou suspeita de endoftalmite. Estas características podem traduzir queratite grave, celulite orbitária ou infeção intraocular, situações com risco de compromisso visual permanente.
7) Que importância têm as lentes de contacto?
As lentes de contacto são um fator de risco importante para queratite bacteriana, sobretudo por Pseudomonas aeruginosa, e também para queratite por Acanthamoeba. Perante olho vermelho doloroso num utilizador de lentes de contacto, deve suspeitar-se prioritariamente de infeção corneana e não apenas de conjuntivite. Nestes casos, as lentes devem ser suspensas imediatamente e não reutilizadas até resolução completa.
8) O que distingue celulite pré-septal de celulite orbitária?
A celulite pré-septal envolve os tecidos anteriores ao septo orbitário e manifesta-se por edema e eritema palpebral, geralmente sem proptose, sem limitação da motilidade ocular e com visão preservada. A celulite orbitária é uma situação muito mais grave, com proptose, dor à mobilização ocular, limitação dos movimentos oculares, eventual diplopia e diminuição da visão. Esta última requer internamento, antibioterapia intravenosa e avaliação imagiológica urgente.
9) Como abordar as infeções das vias lacrimais?
A dacriocistite aguda apresenta-se com dor, edema e eritema no canto interno do olho, por vezes com refluxo de secreção purulenta à pressão sobre o saco lacrimal, e deve ser tratada com antibioterapia oral, compressas mornas e analgesia. A dacriocistite crónica associa-se sobretudo a epífora persistente e secreção recorrente, sendo a antibioterapia geralmente reservada para exacerbações. A canaliculite deve ser suspeitada em casos de conjuntivite unilateral crónica com secreção no ponto lacrimal; o antibiótico pode controlar sintomas, mas o tratamento definitivo requer frequentemente remoção de concreções por Oftalmologia.
10) A antibioterapia resolve sempre o problema?
Não. Em várias entidades, a antibioterapia tem apenas um papel adjuvante ou de controlo sintomático. Na blefarite, a base do tratamento continua a ser a higiene palpebral regular. No hordéolo e no calázio, as compressas mornas são fundamentais. Na dacriocistite crónica, o problema de base é habitualmente a obstrução do sistema lacrimal. Na canaliculite, a antibioterapia isolada raramente é curativa. Sempre que a causa subjacente não é corrigida, podem ocorrer recidivas.