Infeções gastrointestinais — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que abrange esta tabela?
Esta tabela organiza a abordagem clínica e terapêutica das principais infeções gastrointestinais, intra-abdominais e biliares, incluindo diarreia aguda infecciosa, diarreia bacteriana invasiva, diarreia do viajante, infeção por Clostridioides difficile, erradicação de Helicobacter pylori, diverticulite aguda, colecistite e colangite. Para cada situação são apresentados tratamento base, esquemas antibióticos, alternativas terapêuticas e critérios de referenciação urgente.
2) A diarreia aguda infecciosa necessita sempre de antibiótico?
Não. Na maioria dos casos, o tratamento inicial centra-se em reidratação oral e correção de eletrólitos. A antibioterapia sistémica deve ser reservada para situações selecionadas, como febre elevada, disenteria, imunossupressão, doença grave ou desidratação significativa, bem como alguns contextos epidemiológicos específicos.
3) Quando devo suspeitar de diarreia bacteriana invasiva?
A suspeita deve aumentar perante diarreia com sangue, febre, dor abdominal mais marcada e sinais inflamatórios sistémicos. Nestes casos, a probabilidade de etiologia bacteriana invasiva é maior e a antibioterapia pode estar indicada, para além das medidas de suporte.
4) Como abordar a diarreia do viajante?
A base do tratamento é a reidratação. Em quadros ligeiros, pode ser suficiente tratamento sintomático e vigilância clínica. A azitromicina é frequentemente opção de primeira linha quando há necessidade de antibioterapia, nomeadamente em casos moderados a graves, febre, disenteria ou maior compromisso funcional.
5) Quando devo considerar infeção por Clostridioides difficile?
Deve ser considerada perante diarreia após antibioterapia recente, internamento ou contacto com cuidados de saúde, sobretudo se houver dor abdominal, febre ou agravamento clínico. A abordagem terapêutica inclui tratamento dirigido, sendo vancomicina oral ou fidaxomicina opções habituais de primeira linha nos episódios iniciais.
6) Qual é o objetivo do esquema de erradicação de Helicobacter pylori?
O objetivo é eliminar a infeção, reduzindo o risco de úlcera péptica, recorrência sintomática e algumas complicações a longo prazo. Os esquemas terapêuticos combinam habitualmente inibidor da bomba de protões com vários antibióticos, escolhidos de acordo com o contexto clínico e padrões locais de resistência.
7) A diverticulite aguda exige sempre antibiótico?
Não necessariamente. Em casos não complicados, o tratamento pode focar-se em dieta adaptada, analgesia e vigilância. A antibioterapia deve ser considerada quando existem febre, inflamação sistémica, imunossupressão, comorbilidades significativas ou persistência dos sintomas.
8) Quais são os sinais de alarme nas infeções biliares?
Devem ser valorizados sinais como dor no hipocôndrio direito, febre, icterícia, vómitos persistentes e deterioração do estado geral. A associação de febre, dor no hipocôndrio direito e icterícia é particularmente sugestiva de colangite, situação potencialmente grave que exige avaliação urgente.
9) Quando devo referenciar ao Serviço de Urgência?
A referenciação urgente está indicada perante suspeita de colangite, colecistite complicada, megacólon tóxico, perfuração intestinal ou abcesso intra-abdominal. Também deve ser considerada em presença de instabilidade hemodinâmica, sépsis, dor abdominal intensa ou agravamento clínico rápido.