Perguntas frequentes — Tratamento da angina estável
1) Quais são os pilares do tratamento?
Três pilares: estilo de vida (dieta, exercício, cessação tabágica, peso), prevenção de eventos (antiagregação/anticoagulação conforme contexto, controlo lipídico e comorbilidades) e controlo sintomático com fármacos antianginosos.
2) O que é “primeira linha” para sintomas?
Betabloqueador ou bloqueador dos canais de cálcio (BCC). Forneça sempre nitrato sublingual para alívio de crise. A escolha entre BB e BCC depende de frequência cardíaca (FC), pressão arterial (PA) e comorbilidades.
3) Quando preferir BCC dihidropiridínico em vez de betabloqueador?
Em bradicardia de base ou quando há suspeita de vasoespasmo. Exemplos: amlodipina/felodipina (idealmente libertação prolongada). Evitar nifedipina de libertação imediata.
4) Quando evitar BCC não-dihidropiridínicos (verapamil/diltiazem)?
Evitar em insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, bradicardia e bloqueio AV. Não combinar com betabloqueadores ou ivabradina (risco de bradicardia/bloqueio).
5) Como usar nitratos sublinguais em crise e na profilaxia antecipatória?
Nitroglicerina SL 0,3–0,6 mg: ação em ~5 minutos; repetir a cada 5 minutos até 3 doses (15 minutos). Se sem alívio, procurar assistência médica. Para esforço previsível, administrar 5–10 minutos antes.
6) Nitratos de ação prolongada: que precauções?
Usar como adição/segunda linha para reduzir episódios. Garantir janela livre diária de 10–12 horas para evitar tolerância. Contraindicação absoluta com inibidores da fosfodiesterase-5 (sildenafilo/vardenafilo < 24 h; tadalafilo < 48 h).
7) Quando considerar ivabradina?
Em ritmo sinusal com FC ≥ 70 bpm quando se pretende reduzir FC com pouca descida de PA; como alternativa/adição se persistir taquicardia apesar de betabloqueador tolerado. Evitar em síndrome do nódulo sinusal e bloqueio AV ≥ 2 sem pacemaker.
8) Quando usar ranolazina?
Útil quando se quer poupar FC e PA (não os reduz de forma relevante). Vigiar QT e interações CYP3A4; evitar se depuração de creatinina < 30 mL/min ou insuficiência hepática moderada/grave.
9) Qual o lugar do nicorandil?
Opção de adição em refratários; combina mecanismo de dador de óxido nítrico e abertura de canais de potássio. Atenção a hipotensão e ulcerações mucosas. Não associar a inibidores da fosfodiesterase-5.
10) E a trimetazidina?
Opção metabólica em casos selecionados com sintomas persistentes; não altera FC/PA. Usar com cautela em idosos; monitorizar sintomas extrapiramidais raros.
11) Que combinações são úteis e quais evitar?
Úteis: DHP + betabloqueador (mitiga taquicardia reflexa); associação com nitratos/nicorandil ou ranolazina. Evitar: verapamil/diltiazem + betabloqueador ou + ivabradina (bradicardia/bloqueio AV).
12) Como e quando reavaliar a terapêutica?
Reavaliar em 2–4 semanas: sintomas, FC, PA, efeitos adversos e adesão. Se controlo insuficiente ou intolerância, otimizar dose, adicionar/alternar antianginoso de 2.ª linha e reavaliar. Considerar estratificação e revascularização quando sintomas persistem ou há alto risco.
13) O controlo de lípidos, pressão e comorbilidades influencia sintomas?
Sim. Estatinas (com/sem ezetimiba/iPCSK9) reduzem eventos e podem diminuir angina. Tratar hipertensão e comorbilidades (diabetes, insuficiência cardíaca, doença renal) melhora sintomas e prognóstico.
14) Há superioridade clara entre as classes antianginosas?
Não. A evidência não demonstra superioridade consistente entre classes para alívio sintomático; por isso a escolha deve ser individualizada (FC, PA, comorbilidades, preferências).