Dor odontogénica aguda — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que abrange este algoritmo?
O algoritmo orienta a abordagem farmacológica da dor odontogénica aguda e da dor pós-operatória dentária, incluindo situações como pulpite, abcesso periapical, pericoronarite e dor após cirurgia de terceiros molares. A escolha terapêutica depende da intensidade da dor, presença de componente inflamatório e características do doente.
2) A analgesia substitui o tratamento dentário definitivo?
Não. A analgesia permite controlar sintomas, mas não substitui o tratamento odontológico da causa. Sempre que possível, deve ser assegurada avaliação por medicina dentária/estomatologia para tratamento definitivo, sobretudo em pulpite, abcesso periapical ou pericoronarite.
3) Qual é a primeira linha na dor ligeira a moderada?
Na dor ligeira a moderada sem componente inflamatório marcado, o paracetamol é uma opção de primeira linha. Em adultos, deve respeitar-se o teto terapêutico de 1 g por dose e a dose máxima habitual de 4 g/dia, reduzindo para cerca de 2 g/dia em pessoas com alcoolismo ou maior risco hepático.
4) Quando deve ser utilizado um AINE?
Os anti-inflamatórios não esteroides (AINE) são particularmente úteis quando existe componente inflamatório marcado, como em pericoronarite, dor pós-operatória com edema ou dor odontogénica inflamatória. Devem ser evitados ou usados com cautela em doentes com doença renal, risco hemorrágico, doença ulcerosa péptica, insuficiência cardíaca, anticoagulação ou contraindicações específicas.
5) O que fazer na dor moderada a intensa?
Na dor moderada a intensa, a associação de paracetamol + AINE pode proporcionar melhor controlo analgésico do que cada fármaco isoladamente, desde que não existam contraindicações. A utilização deve ser individualizada e acompanhada de orientação para tratamento odontológico definitivo.
6) Quando considerar um opióide minor?
Um opióide minor, como a codeína ou tramadol, pode ser considerado quando a dor permanece inadequadamente controlada apesar de terapêutica otimizada com paracetamol e/ou AINE. Deve ser utilizado durante o menor período possível, evitando uso prolongado e avaliando risco de sedação, obstipação, dependência, interações medicamentosas e contraindicações individuais.
7) Que abordagem usar em crianças?
Em idade pediátrica, o paracetamol é geralmente considerado terapêutica de primeira linha. Em dor mais intensa ou com componente inflamatório, pode ser considerado ibuprofeno de acordo com a idade, peso e contraindicações. O ácido acetilsalicílico está contraindicado em crianças pelo risco de síndrome de Reye. Opióides devem ser evitados ou reservados para contextos muito selecionados e com avaliação especializada.
8) Que abordagem usar na gravidez e aleitamento?
Na gravidez e no aleitamento, o paracetamol é o analgésico de eleição. Os AINE estão contraindicados no 3.º trimestre e devem ser usados com prudência noutras fases, de acordo com avaliação clínica. Os opióides podem ser considerados como segunda linha durante curtos períodos, quando necessário, ponderando riscos maternos e fetais.
9) Quando suspeitar de infeção odontogénica grave?
Devem motivar avaliação urgente sinais como febre, celulite facial progressiva, trismo importante, disfagia, odinofagia, dificuldade respiratória, compromisso da via aérea, prostração, imunossupressão ou agravamento rápido. Nestes casos, a analgesia isolada é insuficiente e pode ser necessária referenciação urgente.
10) Os antibióticos estão indicados para tratar dor dentária?
Não devem ser utilizados apenas para controlo da dor. Os antibióticos estão indicados quando existe suspeita de infeção bacteriana com extensão local ou sistémica, como celulite, febre, adenopatia dolorosa, trismo ou sinais de disseminação. Em pulpite sem sinais de infeção disseminada, o tratamento definitivo é dentário, não antibiótico.
11) Que cuidados devem ser dados ao doente?
O doente deve ser informado sobre posologia correta, duração limitada da terapêutica, sinais de alarme e necessidade de tratamento dentário definitivo. Deve evitar duplicação de fármacos, especialmente combinações que já contenham paracetamol, e procurar cuidados urgentes se surgirem edema progressivo, febre, trismo, disfagia ou dificuldade respiratória.