Avaliação inicial
Em presença de sinais e sintomas sugestivos de acne, o primeiro passo é confirmar o diagnóstico de acne vulgar e excluir diagnósticos diferenciais. Deve avaliar-se a morfologia (comedões, pápulas/pústulas, nódulos), a extensão (face, tórax e dorso) e o impacto psicossocial. A acne pode persistir além da adolescência e variar de comedões não inflamatórios a formas noduloquísticas graves com risco de cicatriz.
Diagnóstico diferencial
Antes de instituir terapêutica, excluir dermatoses acneiformes e outras condições: foliculites, pseudofoliculite da barba, rosácea pápulo-pustular, dermatite perioral, doença de Favre-Racouchot, hidradenite supurativa, miliária e erupções induzidas por fármacos.
Classificação de gravidade
A classificação clínica orienta a decisão terapêutica:
Grau 1 — comedões abertos/fechados, sem inflamação.
Grau 2 — acne pápulo-pustular ligeira a moderada (até ~5 pápulas/pústulas).
Grau 3 — pápulo-pustular grave (6–20 lesões) ou acne nodular moderada.
Grau 4 — acne nodular grave, conglobata ou extensa com risco de cicatrizes.
Tratamento de indução — Grau 1
Predominam comedões sem inflamação. Recomenda-se retinoide tópico (preferencialmente adapaleno). Como alternativas, peróxido de benzoílo (BPO) ou ácido azelaico.
Manutenção: as mesmas opções, com ajuste para tolerabilidade.
Tratamento de indução — Grau 2
Acne pápulo-pustular ligeira a moderada, geralmente mista (inflamatória e não inflamatória).
Primeira linha: associações fixas tópicas — adapaleno + BPO, ou clindamicina + BPO.
Em maior extensão/resistência: considerar antibioterapia sistémica (ex.: doxiciclina) por até 3 meses, sempre associando BPO e/ou retinoide tópico para reduzir resistência.
Manutenção: retinoide tópico, ácido azelaico ou BPO (evitar antibiótico tópico em manutenção).
Tratamento de indução — Grau 3 e 4
Em acne pápulo-pustular grave, acne nodular moderada a grave ou conglobata, está indicada isotretinoína oral como primeira linha.
Dose: 0,3–0,5 mg/kg/dia (poderá ser superior no acne conglobata), tipicamente por ~6 meses, ajustando à resposta clínica.
Contraindicações: < 12 anos e gravidez (teratogénica).
Monitorização: enzimas hepáticas e lípidos antes do início, ao 1.º mês e trimestralmente durante a terapêutica.
Alternativas ao retinoide sistémico (Grau 3–4)
Quando a isotretinoína é contraindicada ou não desejada, pode usar-se antibioterapia oral (ex.: doxiciclina) em associação a adapaleno, ácido azelaico ou adapaleno + BPO, com duração limitada e plano de manutenção não antibiótico.
Mulheres — esquema hormonal
Em mulheres, considerar antiandrogénios hormonais (ex.: contracetivos com ciproterona, clormadinona, dienogest, drospirenona ou desogestrel), isolados ou combinados com antibiótico oral de curta duração e terapêutica tópica não antibiótica.
Manutenção: os antiandrogénios podem ser mantidos em combinação com terapêutica tópica adequada (sem antibiótico).
Procedimentos e segurança
Durante a isotretinoína e até 6 meses após a sua descontinuação, evitar peelings químicos, laser ablativo e depilação com cera, pelo risco aumentado de irritação/cicatrização anómala. Assegurar contraceção eficaz nas doentes em idade fértil.
Manutenção e seguimento
Após controlo inicial, privilegiar retinoide tópico, BPO ou ácido azelaico como manutenção, reforçar adesão, simplificar regimes e rever fatores agravantes (cosmética oclusiva, fármacos indutores, fricção/oclusão). Reavaliar periodicamente para prevenir recidiva e cicatrizes.