Corrimento vaginal — Perguntas frequentes (FAQ)
1) O que abrange este algoritmo?
O algoritmo orienta a avaliação estruturada do corrimento vaginal, desde a história clínica e exame objetivo ao uso de
pH vaginal, microscopia e testes rápidos quando disponíveis. Foca as quatro etiologias principais: vaginose bacteriana (VB),
candidíase vulvovaginal (CVV), tricomoníase (TV) e vaginite aeróbia/desquamativa (AV/DIV), integrando ainda
critérios de gravidade e decisões terapêuticas.
2) Quais são as principais causas de corrimento patológico?
As causas mais comuns são VB (corrimento homogéneo e odor a “peixe”), CVV (prurido, eritema, corrimento grumoso),
TV (corrimento frequentemente abundante e por vezes espumoso) e AV/DIV (corrimento purulento, pH elevado e
sinais inflamatórios). O algoritmo ajuda a diferenciar clinicamente e a definir quando confirmar com exames.
3) Que avaliação inicial devo realizar?
Deve incluir anamnese dirigida (início, fatores de risco, relações sexuais, antibióticos, gravidez), exame ginecológico,
pH vaginal e, se possível, microscopia (salina/KOH). Para tricomoníase, os NAATs são o teste de escolha quando
acessíveis. A confirmação laboratorial é particularmente útil em recorrências ou falência terapêutica.
4) Quais são os critérios de gravidade que condicionam a conduta?
Gravidez, imunossupressão, dor pélvica intensa, febre, suspeita de DIP, corrimento recorrente
(≥ 4 episódios/ano) e falência terapêutica devem motivar investigação mais completa, eventual referenciação e seleção
cuidadosa da terapêutica.
5) Quando devo tratar o(s) parceiro(s)?
Na tricomoníase, o parceiro deve ser sempre tratado e recomenda-se abstenção sexual até cura clínica. Na VB,
CVV e AV/DIV, o tratamento de parceiro(s) não é recomendado de rotina (pode considerar-se avaliação em parceiras
mulheres com sintomas compatíveis).
6) Quais são as opções terapêuticas de primeira linha?
Para VB: metronidazol (oral 5–7 dias ou gel 5 dias) ou clindamicina vaginal (7 dias). Para CVV:
azóis (fluconazol oral dose única ou formulações intravaginais como clotrimazol/miconazol/econazol). Para TV:
metronidazol 7 dias é preferido; a dose única é alternativa. Para AV/DIV: clindamicina vaginal (7–21 dias),
podendo associar corticoterapia local em casos selecionados.
7) Como proceder na gravidez?
Privilegiam-se fármacos tópicos e esquemas com perfil de segurança conhecido. Em CVV, usar azóis intravaginais 7 dias.
Em VB, a clindamicina é opção preferida. Na TV, pode usar-se metronidazol 7 dias; evitar tinidazol.
Ajustar sempre ao contexto clínico e idade gestacional.
8) O que fazer nos casos recorrentes?
Confirmar o diagnóstico e especiar pelo menos uma vez. Em CVV recorrente, fazer indução (3 dias consecutivos de
fluconazol) seguida de manutenção semanal por 6 meses. Em VB recorrente, considerar metronidazol vaginal 2×/semana
por ciclos prolongados. Em TV persistente, excluir reinfeção/não adesão e ponderar esquemas de maior dose.
9) Probióticos ou lactobacilos são úteis?
A evidência é limitada e heterogénea. Podem ser considerados como adjuvantes, mas não substituem a terapêutica
etioespecífica nem devem atrasar o tratamento adequado quando há diagnóstico confirmado.
10) Existem precauções com fármacos e dispositivos?
Evitar álcool durante o tratamento com nitroimidazóis e até 48–72 horas depois. Cremes vaginais à base de óleos
(ex.: clindamicina/metronidazol) podem reduzir a eficácia de preservativos/espermicidas durante o uso e por curto período
após a última aplicação.
11) Quando devo reavaliar e/ou repetir testes?
Reavaliar em caso de persistência ou recorrência de sintomas. Na TV, teste de cura é indicado se os sintomas
persistirem/recidivarem. Em CVV recorrente, planear seguimento durante a fase de manutenção. Em VB/AV, reavaliar se
não houver resposta clínica ou em gravidade.
12) A quem se destina este conteúdo?
O algoritmo e esta FAQ destinam-se a profissionais de saúde. A decisão final deve considerar o contexto clínico, fatores
de risco, comorbilidades e preferências da pessoa, seguindo sempre as guidelines em vigor.